A visita cruel do tempo

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A visita cruel do tempo é um livro muito bom. Depois que eu terminei de ler, não consegui sair dele. E eu sinto que vou permanecer em suspenso dentro desse livro por muito tempo e que daqui uns anos, ele ainda vai pular das minhas lembranças e me mostrar alguma coisa nova que vai me fazer querer parar tudo pra respirar fundo de olhos fechados pensando que é só um livro e que está tudo bem. Mesmo que não esteja. Especialmente se não estiver.


É um livro sobre o tempo: o tempo e nossas expectativas. Sobre como as coisas mudam, sobre como – talvez – a gente cresce. Sobre – talvez – a gente mudar. Os personagens são todos alguém que você conhece e é possível que você se reconheça em mais de um deles. Você vai ser apresentado a uma cleptomaníaca muito cativante, ao patrão dela, a ex esposa dele, ao filho, aos vícios, aos passados, a várias coisas. Mas vai perceber, em todos eles, todas as possibilidades do que poderiam ter sido e que eles mesmos esperavam ter se tornado – ainda que ficcionais. E vai olhar embasbacado o caminho deles, que levou tudo a ser daquele jeito. Exatamente como acontece em todas as vidas.

Jennifer Egan constrói uma narrativa que vai e volta senhora do tempo que é senhor de todas as coisas. E é possível se perder, mas é pouco provável. É um desses livros de não se conseguir largar ou esquecer, mas que não se esquece fácil. Egan tem uma prosa ágil, contundente e inteligente onde nada falta e nada sobra, seus personagens são fluidos e suas histórias cotidianas, que talvez você já as tenha visto repetidas vezes, possuem um apelo profundo pela ação e valor do tempo, o grande personagem de Egan.
Um livro doloroso e delicioso, sobre esperar muito ou não esperar mais; sobre reinvenções, recomeços, novos caminhos, finais. Expectativas e o que se faz com elas. E o que é feito com a gente.

E a coisa, para mim, foi tão absurda que eu tô aqui tirando a poeira desse blog.

Livros lidos em 2017

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Quando 2017 começou, eu fiz uma combinação com Aíla de que eu ia ler melhor. Assinei a TAG e tudo – não consegui lidar com a inveja do livro de janeiro dela, tão lindo. – E a gente é(ra) muito bibliófila loucona mesmo. A coisa toda é que a gente preferia estar entre livros porque gente é um negócio exaustivo. Eu não consegui manter minha promessa (mas eu preciso prometer não prometer mais nada porque enfim) mas eu li várias coisas que nunca li antes ou que jamais leria. E isso era parte do desafio. Ela, claro, cumpriu todas as proposições. Eu pelo menos li um pouco melhor.

1. Outlander: a viajante do tempo. – Diana Gabaldon
Eu comecei em 2016 e larguei, recomecei e concluí numa rede em Recife e saí loucona doida pra aprender a tocar gaita de fole, pintar a cara de azul e gritar FREEDOM, escolher um tartan e achar um círculo de pedras para voltar no tempo e achar Jamie Fraser.


2. A libélula no âmbar – Diana Gabaldon
É o volume 2 de outlander, onde fica mais evidente que Jamie Fraser é a melhor pessoa do mundo real ou imaginário e as pedras em Mossoró não funcionam. Alguém sabe um app bom onde eu possa aprender gaélico escocês?

3. Outlander: o resgate no mar parte 1. Diana Gabaldon
Claire, como você é burra. E filha, como assim você esperou VINTE ANOS para saber se ele sobreviveu? Ódio. Fosse eu, ia ser a primeira providência. Vá lá que o século XX é um século melhor para ser mulher, mas gente, por favor ne? 20 anos?

4. Outlander: o resgate do mar. Parte 2. Diana Gabaldon
Frank, seu otário.
Olar, Roger.

5. Desonra – J. M. Coetzee
QUE LIVRO BOM DO CARAMBA. É aquelas coisas que você começa a folhear despretensiosamente e de repente o dia amanheceu e você está deitada na cama encarando o teto sem saber o que te atingiu. É como ver um acidente horrível acontecer de um modo tão sensacional que você não consegue desviar o olhar. Esse livro se inscreveu no meu dna. Descrevendo toscamente, é um tio da sukita que é demitido da universidade que trabalhava porque não consegue conter a crise de meia idade e se muda para a casa da filha sapatão no meio da África do Sul.
Eu te amo, Coetzee, mesmo que eu não saiba dizer seu nome.

6. A caderneta vermelha – Antoine Laurain
É um livro muito fofinho, de ambientação. Dá quase pra sentir o cheiro da comida que ele cozinha para a filha e eu tô louca de vontade de cozinhar o prato desde então.

7. O efeito Rosie – Graeme Simsion
MARAVILHOSO. Tão maravilhoso quanto o primeiro, mas mais engraçado. Quero ler até a lista de supermercado desse cara.

8. Mulher Maravilha. Terra 1. Grant Morrison, Yanick Paquette, Nathan Fairbairn, Todd Klein
Bem legal.

9. A Garota que você deixou pra trás – Jojo Moyes
Eu fui ver o que era isso que todo mundo gosta e eu não sabia. Achei inconsistente. O livro fica indo e vindo no tempo contando a história de um quadro. A parte que se passa na primeira guerra mundial é interessante, tem personagens legais, mas a parte moderna é um passar de páginas inútil que não diz absolutamente nada sobre pessoas com quem ninguém se importa.

10. Kindred spirits – Rainbow Rowell
É bem besta, não parece os outros textos que li da autora. Fiquei tão bleh que nem li carry on ainda.

11. A Câmara Sangrenta – Angela Carter
Muito legal, mas tem uns contos excelentes e uns que eu não me importei muito.

12. Os irmãos Sisters – Patrick Dewitt
Eu jamais leria esse livro se a Tag não trouxesse. Estou feliz de ter lido. Achei excelente e tô até agora louca pelo cavalo. Preciso ter um cavalo. Cavalo melhor pessoa – só que é um cavalo mesmo.

13. Até o dia em que o cão morreu – Daniel Galera
Jamais leria nada de alguém chamado Galera. E li umas entrevistas dele e achei que era um cara meio meh. Mas gostei tanto dos irmãos sisters que resolvi ler um ebook desse livro que estava no kindle e eu nunca tinha olhado. Que bom que olhei. Eu achei ótimo.

14. Aconteceu naquele verão – Stephanie Perkins e um monte de outros autores irrelevantes
Esse livro é muito, muito, muito ruim mesmo.

15. Um, dois e já – Inés Bortagaray
Quando eu era criança, acho que eu tinha uns 8 anos, minha família fez uma viagem para a praia aqui perto. Eu lembro que não chegava nunca. Lembro que meu irmão berrou no caminho. Lembro do cheiro do mar logo que eu cheguei, que eu senti antes de ver. Esse livro tem esse cheiro. Esse livro é um livro de lembrança de infância. De lembrança de família. Que livro lindo.

16. Verões Felizes – Zidrou, Jordi Lafebre
Eu estava no embalo de Um, dois e já e peguei esse quadrinho. POR FAVOR, LEIAM ESSE QUADRINHO.

17. Primeiro amor – Samuel Beckett
O inusitado olhar sobre o banal. Não se sai de um Beckett do jeito que se entrou.

18. Livro dos começos – Noemi Jaffe
Detestei.

19. Os Deixados para trás – Tom Perrotta
Esse livro me pegou bem pelo estômago. E todos os dias eu me lembro de alguma coisa dele. E ele meio que me deixou alerta para ser “deixada para trás”. Spoiler: é uma merda.

20. A Bela e a Adormecida – Neil Gaiman
Esses dias eu estava num café com Filipe e Paula e é um café onde a gente sempre vai. Só que eles colocaram umas caixas na mesa com temas para conversas e eu puxei um que era “diga três pessoas famosas de quem você gostaria de ser amigo” e eu sofri muito pra escolher três pessoas. Mas eu quero ser amiga de Neil Gaiman. E a gente ia passar muito tempo conversando e tomando chá e café e falando de como a gente tem sonho bizarro e como é maravilhoso ver Deuses Americanos na tv, ele ia ficar chateado comigo porque eu nunca li o livro só esperando a série – pra poder aproveitar as duas mídias – mas ia entender. E ele ia me apresentar pra Jenny Lawson e a gente ia ser feliz pra sempre. Todos doidos.

21. Um limite entre nós – August Wilson
Eu vi o filme com Denzel Washington e Viola Davis e achei que era uma sacanagem enorme do Oscar não criar as categorias Denzel Washington e Viola Davis porque eu sofri TANTO nesse filme que não tinha pra onde correr. Corri pra ler o livro e sofri de novo. É difícil adaptar teatro para o cinema, eu acho, mas esse foi um tiro muito, muito certeiro e foi o meu filme preferido do último Oscar.

22. Remissão de pena – Patrick Modiano
Meu primeiro Modiano, confesso que teve uma hora que as descrições me cansaram, mas é uma boa construção de ambiente. Senti o tempo todo que havia alguma coisa que eu não estava captando, mas eu li muito aflita com a piora de Aíla e preciso reler. Sinto que eu só absorvi metade do que estava lá pra mim, aconteceu com vocês isso?

23. Filomena Firmeza – Patrick Modiano
Que livro amorzinho. Eu adorei. É tão delicado e tão bonito. As ilustrações são tão lindas e o texto é tão delicioso. Um resgate de infância que eu não tive, mas Filomena Firmeza também sou eu.

24. Raul Taburim – Sempé
O ilustrador de Filomena Firmeza é Sempé. Corri pra ler mais coisas dele, e ele tem livros só dele e Raul Taburim é muito legal. É aquele livro para crianças que adulto adora.

25. Senhor Lambert – Sempé
Fofinho.

26. O homem lento – Coetzee
Coetzee é uma paulada. Um atropelamento. Ele é absolutamente sensacional. Eu li Desonra de um fôlego só. Não consegui largar. Normalmente, quando eu devoro rápido assim um livro, os detalhes e nuances começam a me escapar num tempo bem curto. Mas eu lembro de Desonra com muitos detalhes e ele ainda está em processamento na minha cabeça. O homem lento eu comecei a ler e março, quando terminei desonra, mas não conseguia avançar muito com faculdade, enem, vida. É uma leitura que eu não conseguia fazer com meio cérebro. O homem lento exige todos os órgãos vitais. Mesmo com um avançar lento, cada vez que eu pegava o livro, eu lembrava exatamente onde estava e o que havia acontecido e tudo o que eu pensava. É um desses autores que você não sabe se você está lendo ou se está numa experiência. Um dos melhores da vida.

Depois desse, eu comecei a ler um volume com todos os contos de Machado de Assis, que espero concluir esse ano; a Odisseia e umas duas ou três biografias. E uns livros de divulgação científica, que descobri serem deliciosos.

Todas as leituras desse ano, e todos os anos seguintes até o final dos meus dias, são dedicadas a Aíla Almeida Mendes. A gente sempre se encontrou nos livros e é onde eu espero reencontrar sempre com ela. Eu tinha um papel de carta que dizia “a vida é a arte do encontro”, então eu vou fazer da leitura o nosso reencontro, minha amiga. E vou ler os livros que você queria que eu lesse e os que você não conseguiu ler.

A dificuldade de se despedir dos presentes que a gente ganha da vida

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Eu não consegui estudar para a minha prova de Saúde Coletiva porque eu não consegui ler nada sobre o SUS. Eu sei que tudo o que poderia ter sido feito foi feito. Eu sei. Mas eu não consigo escapar de você não poder cuidar de você porque precisava brigar pelo tratamento oncológico da cidade inteira. E eu fico com uma raiva que vem em ondas. E muito grata pelo tempo que eu tive, também em ondas. Eu falei não sei quantas vezes que há coisas que eu aceito devagar, e essa despedida parece que vai ser assim também. Só mais devagar que todas as outras coisas.

Agora eu fico pensando foram cinco anos de dor física absurda, mas que acabou. E eu torço para ter acabado mesmo, e imagino você cantando blowing in the wind e correndo por algum lugar bonito.Espero que, onde você estiver, você esteja dançando. E que tenha café e vinho e o filé esteja no ponto certo. Espero que você esteja passeando por uma Notre Dame espiritual, já que não deu tempo de ver a física (eu te conto quando eu for). E eu torço que esse desencarne tenha sido uma libertação de um corpo que aguentou muito mais do que se espera e do que é justo. Eu também imagino você assombrando o Louvre, com aquela sua saia azul royal dos anos 50 e um francês perfeito que o espírito de Victor Hugo vai apreciar muito enquanto escuta você contar vantagem de ter lido Ulisses. Fale de mim pra Alexandre Dumas, por favor. Diga que eu aprendi a dizer o nome dele.

Eu não consigo elaborar ainda, Aíla. É bom que você não esteja mais em sofrimento. Eu disse a você mais de uma vez que, no seu lugar, eu teria morrido já há tanto tempo que não tinha mais ninguém que sentisse minha falta. Você dava sempre aquela sua risada e dizia que corpo não era nada, o importante era ler os livros e falar francês.

Estamos aqui pelo que a gente pode aprender. E eu não consegui nunca agradecer a você a importância de você me ensinar isso de novo. E era sempre nós duas. Aíla e Guiga e uma conta na Amazon, na Saraiva e na Cultura que é despesa fixa. Eu, você, os livros, os cadernos absurdos e todos os pelos de bichos. Eu, você e cozinhar. Eu, você e comer. Eu, você e todas as viagens que a gente planejou falando todos os idiomas que a gente aprenderia. Eu e você e todas as risadas que a gente deu e a vida que a gente dividiu. Eu não ia encontrar outra irmã na mesma família. Tinha que ser você.

“Guiga, você precisa voltar para o Francês antes de aprender gaélico escocês”. E eu vou. Mas eu vou aprender inglês antes, só por estar mais perto que longe. E eu não sei como eu vou conseguir voltar ao francês sem você para dividir a frustração com os fonemas impossíveis, mas acho que quem viveu o que a gente viveu não se perde nunca uma da outra, né?

Talvez o jeito que vá conseguir lidar com isso é escrevendo. Do jeito que você sempre deu nó em pingo d´água, já deveria saber disso antes de mim, porque você sempre sabia de tudo antes e ainda olhava na minha cara e dizia que era o super poder de quem ia morrer. E eu nunca notei, porque o meu super poder é a super leseira.

Eu vi você ficar mais e mais debilitada, mas só uma vez não era você no corpo que você habitava, ano passado, no hospital. Mas depois disso, você voltou e meu cérebro idiota registrou metástase no cérebro como apendicite. O câncer era sempre muito menor do que você. Eu nunca consegui te olhar e ver uma pessoa doente, Aíla. Acho que vem daí a minha dificuldade. Eu via você. Eu tenho olhos negros, 1,65m e odeio rúcula. Você tem, tinha, olhos âmbar, uma risada sonora e câncer.

Eu sempre soube, mas eu nunca vi.

Guiga.

ps. Eu estou voltando a escrever. E isso é para você. Porque você pediu. Eu vou fazer todas aquelas coisas que você pediu.

pps. eu vou escrever para você de vez em quando. Espero que você não se importe.

13 séries que eu adoro

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Um tempo atrás, Francisco me marcou numa dessas correntes de Facebook que mandava listar séries. Eu tentei pensar várias vezes sobre isso. Cheguei a escrever várias listas. Mas, e eu tenho que ser honesta sobre isso, queria assistir ao revival de Gilmore Girls primeiro.
E jamais ia conseguir fazer uma lista desse tipo sem dar pelo menos uma explicação rápida.
Então, é isso:
1. Gilmore Girls.

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Construiu meu caráter, moldou minha personalidade. Essa série é meu espírito animal. É tudo o que eu sou e tudo o que eu quero ser. Eu, moradora de cidade imaginária.
2. How I Met your mother

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Começou por causa de Jason Segel, mas eu amo todo mundo lá, menos Robin. Pra mim, a série acabou quando ele disse “e foi assim que eu conheci sua mãe”. O mais é nada. Eu queria ter aqueles amigos e aquele bar, sofri horrores quando o pai de Marshall morreu e é isso.
3. Mad Men

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Eu te amo, Beth.
4. Being Erica

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Série canadense que é meu sonho da vida. Uma terapia que joga você de volta ao seu passado pra corrigir todos os seus erros. Dr. Tom melhor psicólogo.
5. Hell on Wheels

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To economizando a última temporada. Não estou pronta pra dizer adeus.
6. The Tudors

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Tenho uma queda super séria pela monarquia medieval que resolve as tretas com um sonoro “cooooortem as cabeças”. Já falei sobre ela aqui. E tem Henry Cavil ne?
7. Switched at birth

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Fofa fofa. Vai começar a última temporada em janeiro e olha, podia durar pra sempre. A série trata muito bem uns temas complicados, metade do elenco é surdo, por exemplo. Eu adoro.
8. Boy meets world

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Eu queria um professor como o Mr Feeney. E eu adoro tanto que saiu Girl meets world, com os mesmos personagens, só que com a filha de Corey e eu adoro também. É uma daquelas séries de bom astral que faz você querer ter tido aquela infância.
9. Arquivo X

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Daí veio o meu amor por conspiração e monstros.
10. The Pretender

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era sobre um cara que tinha o super poder de ser o que ele quisesse. sonho da minha vida. Série que ninguém viu, só eu e uma amiga minha que passávamos tardes de domingo especulando sobre.
11. Everwood

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Qual o meu problema com cidade pequena em lugares frios? E tem a jovem April Kepner – que já era chata – e o jovem Chris Pratt, que já era ótimo.
12. Scrubs

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Muitas verdades. E eu sou muito os delírios de JD.
13. Dance Academy

Bailarinas.

Eu te amo, Jenny Lawson

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Eu não me lembro a primeira vez em que eu tive noção do quanto eu sou estranha. Mas eu me lembro de algumas vezes em que eu percebi que tudo bem ser estranha e de outras em que eu não estava sendo a única pessoa esquisita no recinto. Eu me lembro de me sentir maravilhosa, porque, vamos e convenhamos, existe uma certa paz interior que você só conhece de verdade quando encontra outra pessoa capaz de conexões cerebrais tão absurdas quanto você.

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Por causa de uma série de tretas psicológicas, eu nunca mais tinha sentido essa conexão com meus pares, porque gente é uma coisa que me dá uma exaustão imensa. Então eu tenho me tornado uma pessoa que acha gente ótimo desde que não tenha contato direto e esteja a salvo de interações.

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Aí um dia desses o kindle, que eu gosto de chamar de Melhor Pessoa, veio com essa sugestão de leitura: um livro com um guaxinim na capa com as mãos jogadas para o alto em um hi5 duplo empolgado e uma expressão de júbilo que não sabemos se devido a cocaína ou a uma deficiência mental que impede de entender o mundo. Fiquei imediatamente apaixonada. Baixei a amostra porque eu sou muquirana e preciso folhear o ebook antes de jogar de verdade na biblioteca. Ela começa falando sobre o primeiro livro dela e eu imediatamente parei a leitura e fui catar o primeiro. Foi quando a minha vida se transformou novamente naquele calorzinho gostoso de quando a gente descobre que não é a única pessoa que acredita que Jesus Cristo foi o primeiro zumbi.

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Jenny Lawson, que eu poderia chamar de minha melhor amiga mas chamo de A Mulher do Guaxinim, escreve com muita alegria sobre as coisas horríveis da vida e da mente de um ser humano com depressão E transtorno de ansiedade. E por dois livros inteiros, eu não me senti inadequada e maluca de um jeito ruim. Eu te amo, Mulher do Guaxinim.
Aí resolvi que vou dar o livro da Mulher do Guaxinim A TODO MUNDO QUE PRECISE LIDAR COMIGO E NÃO SABE COMO.
Vai ser um natal terrível pra quem não gosta de ler nessa família, mas natal é um trem meio pombo ne? Sorte é quando não é um desastre completo.

Facebook_AlucinadamenteFeliz_Pt1Mas a melhor parte é que o guaxinim existe de verdade e se chama Rory. Jenny não sabe, mas ela é minha pessoa preferida. Qualquer pessoa que batize animais empalhados e tenha animais empalhados vestidos ou posicionados de modo estranho e se vista de coala para visitar coalas na Austrália certamente é. Não que eu faça isso, mas eu entendo o apelo.