Na realidade, eu prefiro a fantasia.

Publicado em Crônicas
Ando naquelas de final de ano outra vez. Naquelas sensações de desagrado até com água gelada e confesso ter conseguido me irritar com Coca-Cola, amiga de todas as horas que me trouxe uma dor de estômago recente que não passa nunca. Porém, é um ano que chega ao fim e eu já visitei os blogs dos amigos e acabei vendo que é praxe escrever sobre os projetos de ano novo. Não pretendo cair em qualquer uma que vou beber menos, parar de fumar, entre outras coisas porque não fumo e nem bebo. Mas, como ia ficar estranho eu não me pronunciar sobre ano novo, vou rabiscar sobre os planos que eu já tive, porque do que passou eu tenho certeza e o futuro só me seduz pelo mistério.

Quando eu era criança menor, porque criança eu ainda sou, e brincava de bonecas, minhas bonecas eram arqueólogas( eu tenho mania de Indiana Jones e de Magaiver(sic!) faz tempo), médicas, bailarinas ou qualquer outra coisa. Nessa época eu só queria ser grande. E queria ser grande porque o mundo era enorme, imenso e um universo inteiro que eu não conhecia nada mas queria muito ver. Foi nessa época que eu cismei de ser astrônoma, que o meu pai inferniza a vida até hoje por causa disso. Como não podia ser astrônoma… Caí de vontade de ser astronauta né? Lógico.

Lá pelos nove anos de idade, eu queria correr em F1, até que alguém me disse que meninas não podiam ser pilotos, o que me fez ser uma feminista militante que teria queimado sutiãs em praças públicas se já tivesse algum seio pra colocar dentro. Em seguida me veio uma crise de docilidade e cismei de ser bailarina, mas só durou uns dois meses porque eu tava de férias e não tinha dancinha nas férias.

Lembro que alguém alugou Tarzan, ou foi Mogli, não me lembro bem, mas era um desses dois porque era desenho da Disney e era na África. Desse dia em diante eu fiquei meio fascinada pelas criancinhas com fome lá e meus sonhos acabaram por ser definidos por esse fascínio. Eu quis ser diplomata. Médica, mas aí já tinha 11. Fosse o que fosse, eu queria ir pra a África pra ser a fina flor do cajueiro anão lá. Só vivia atrás de saber da Cruz Vermelha, do Exercito da Salvação, dos Médicos Sem Fronteiras e qualquer outra instituição que fizesse mais que acompanhar a miséria pelos documentários da BBC.

Foi por essa época que eu comecei a ver a importância de todo o mundo saber que tem gente que não tem de onde tirar água pra tomar um comprimido de veneno que fosse. Como eu sempre fui coração de mamão com açúcar, eu resolvi que enquanto eu ajudava criancinhas com pólio, ia fotografar a miséria deles pra mandar pra todos os lugares que pudesse, quanto mais gente visse melhor. Só a imagem não ia funcionar, daí resolvi que ia escrever também. Na minha cabeça já devia ter pelo menos uns 5 livros publicados sobre o assunto. E quis ser jornalista. E fotógrafa, foi o fim da Dra. Anna.

De lá pra cá, escrever foi o hábito e a vontade que ficou. E meus sonhos continuam tendo capa, contra-capa e quem sabe um prefácio importante. Quem sabe um dia eu consigo… Ando me arriscando com uma freqüência cada vez mais pretensiosa nesse espaço e cada linha nova é uma vitória da minha vontade que se mostra maior e mais real a cada dia(a vontade é real, não sou escritora). Tenho lido os livros que caem na minha mão, continuo me preocupando com o estoque de água potável do planeta e só não me filiei ao Greenpeace ainda por não ter renda, embora tenha certas fantasias de me amarrar a um cedro muito antigo pra evitar a morte por uma serra elétrica qualquer e tenha pesadelos com caçadores de baleias. Pergunta: Com o passar dos anos, onde foi que eu vim parar?

Resposta: Na UERN. Cursando Direito. E jamais quis ser advogada. Continuo não querendo, mas fiz o vestibular achando que seria outra experiência somente. Tinha tanta certeza que não passava que nem me dei ao trabalho de escutar o listão de aprovados. Ironicamente o que me botou pra dentro foi a redação, foi escrever. E agora que estou mais perto do que longe vamos ver no que vai dar.

Embora eu nem tenha certeza do que me fez chegar ao sétimo período, posse dizer com veemência que não estaria aqui sem nenhum dos meus ataques de pânico do futuro que tive, principalmente nos períodos ímpares-ironicamente (2) são exatamente os do final do ano, onde eu surto normalmente e fico insuportável-e foi graças a eles que eu entendi que minhas frustrações com as ciências jurídicas se devem mais aos meus milhares de sonhos, certamente esqueci de pôr um bocado deles aqui, alguém me disse que eu não desisti de nenhum deles. Nem de ser arqueóloga ou astronauta.

Nas minhas fantasias ainda posso ser todos eles e quando o cotidiano e as insuportáveis aulas de quarta-feira-dia do meu mau humor-me dizem que não dá mais tempo eu entro em uma melancolia terrível. Tenham paciência comigo. Fico manhosa, chorosa e melodramática como diz o Moço, mas eu fico mesmo e daí?

Para o ano que ta chegando, só posso esperar que seja melhor que esse que ta indo pra o Reino de Passará, como diz a minha avó, onde por terra não há caminho e por mar só se voar. Que as coisas corram bem, que a gente pense um pouquinho mais no melhor que podemos ser e façamos as nossas respectivas partes. Indo pra a África ou não. E que todos os meus amigos ganhem na loto acumulada, emagreçam/engordem de acordo com suas vontades e arrumem namorados. E eu também. E vamos ficar felizes por não ter eleição esse ano e ser uma palhaçada a mais pra a gente ver.

Ps. Que Clodovil tenha uma atuação excepcional na Câmara, que é pra a desgraça não ser maior e o Zorra Total, Faustão, Gugu, Mr Bean e Nas Garras da Patrulha saiam finalmente do ar, o Chimbinha pinte aquela mecha ridícula e a goiaba da Joelma se aposente porque já chega. E mais outros votos que depois eu vou postando a medida que for lembrando.

Sobre paixão e afins

Publicado em Crônicas

Estava aqui pensando em relacionamentos. Depois de conversar com o Pedro, sempre o Pedro, ele que enche a minha cabeça dessas coisinhas. E conversar com ele ouvindo Chico Buarque é meio caminho andado pra um post mais caliente aqui. O Pedro é como eu. A gente precisa ser conquistado todos os dias porque a sensação mais vale a pena pra a gente é o frio na espinha. É aquela idéia avassaladora e apaixonada que ou vai ou racha. Eu acho que noites de semana com biscoito de flocos e pipoca de microondas no sofá da sala são ótimas, mas porque são cúmplices.

O apaixonante mesmo é a intimidade, mas não estou falando de intimidade daquelas que faz perder o respeito, é intimidade de saber a pessoa, sentir seus hábitos. É saber que ele tem olho verde, mas no sol fica mais claro, quase esmeralda, que ela não toma leite in natura e adora leite ninho puro, é saber que os pés sempre descalços dela são lindos mesmo naquelas havaianas velhas e com o esmalte lascado. Sempre achei uma graça aqueles versos de o corpo do outro ser o exílio. O apaixonante é sentir a mesma coisa boa depois que o tempo passa e você ainda tropeça nos livros dela espalhados pela casa porque ela nunca perdeu a mania de ocupar o seu apartamento e o dela.

Li em algum lugar que se a graça estivesse mesmo no meio termo o arco-íris ia vir em tom de cinza no céu. Meio termo pra mim funciona em muita coisa, mas não nesse quesito. Mediano comigo não cola. Eu gosto da sedução e que ela dure pra sempre. Quero a mão dele na minha cintura por baixo da blusa e a paixão na sua inconstância plena. Isso pra mim é que é saudável. O mais é só fogo brando que só serve mesmo pra manter a temperatura. Meu coração não é um daquelas panelas de fondue, eu quero o absurdo! Muito pra mim é nada e tudo pra mim não basta, eu quero cada gesto, cada palavra, cada segundo. Eu vivo pra estar apaixonada e admito que faz um certo tempo que eu não me esforço pra fazer cada beijo inesquecível. Mas admito que os que me marcaram mesmo eu estava inteira neles, apaixonada e meia.

Não posso negar que tive rolos adoráveis, namoros que achei que seriam eternos e não chegaram a marca despretensiosa de uma semana, pedidos de casamento do nada e de vez em quando ainda me pergunto se esperar pela paixão que vá me fazer sair correndo daqui pra o fim do mundo como quem vai tirar a mãe da forca. Mas paixão mesmo, dessas de me perder no verde do olho dele e achar que o resto do mundo não precisa existir porque eu já estou embrulhada no abraço dele. Quero que um beijo apaixonado meu e dele atrapalhe o transito de um cruzamento movimentado – mas se for aqui em Mossoró morre os dois.

Não sei a razão de estar tão difícil se apaixonar, mas tudo anda muito complicado nesses tempos de início de milênio. Se sou eu que estou ficando muito adulta para esses arroubos adolescentes – sempre se associou a paixão a imaturidade – ou se meu foco anda no bolso e não no coração. Li em algum lugar que homem é que gosta de amor, mulher gosta de paixão, não sei.

Mas quero ser a mulher mais feliz do mundo.

Publicado em Uncategorized

“Eu só escrevo quando eu quero, eu sou amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então, em relação a outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade.”

Clarice Lispector

Até a próxima.

Publicado em Uncategorized

“Eu só escrevo quando eu quero, eu sou amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então, em relação a outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade.”

Clarice Lispector

Até a próxima.

Quase escrito

Publicado em Contos

Foi assim: estirei a mão procurando um corpo e achei uma carta. E nem era uma carta cheia de bom dia e beijos porque ele teve que sair cedo. Só dizia “seus beijos nunca mais…” e me desfiz em lágrimas naquelas reticências. Ele, sempre ele em ataques de Chico Buarque. De um modo geral, o meu amor eterno acabou tendo fim bem antes do dele. Ele só foi mais corajoso.

Em todos os lugares quero que se rompam em lágrimas e sussurros apaixonados com as poesias dele levadas ao máximo porque estamos de luto. Acabou sem deixar saudade, vivemos tudo o que havia pra viver, eu sempre concentrada em futuro não vi a necessidade de estar com ele hoje. E tudo ficou por isso. Quero bandeiras a meio pau. Quero Arnaldo Jabor comentando o fato. Quero um minuto de silencio antes das finais da NBA. Nosso amor morreu.