Balanço de Fim de Ano

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É, o ano tá acabando e Semisonic no Media Player diz que todo novo começo vem de um começo terminado. É fato.
A diferença desse ano que termina amanha para os anos que já passaram é que esse ano, as coisas realmente mudaram. O que tinha pra ser concluído realmente acabou e as coisas que começaram esse ano e estão funcionando bem permanecem ativas e o melhor de tudo é que dessa vez, existe resultado.
Finalmente comecei a por no passado as pedras do caminho dando passos maiores pra frente porque andar ao redor da pedra também assusta e é muito melhor a vista de cima do que de baixo. De cima se vê mais longe e é de lá que eu prefiro olhar. Aos amigos que eu achei que tinha e descobri não ter a real noção da liberdade me faz ser mais livre, e além disso, também entendi que eu sou um pouco Capitão Nascimento e que mandar ir pra a quinta a esquerda depois do inferno é relaxante. Pra mim que to mandando é claro. Ademais, com as porradas que eu levei esse ano fiquei mais forte, e isso ninguém me tira. Aprendi a ouvir música clássica; aprendi a deixar que me amassem e que ficassem perto de mim do jeito que eu sou de verdade e isso inclui cabelo desgrenhado, roupa velha e tudo o que vem junto com a intimidade que pode sim ser uma delícia.
De uns tempos pra cá fiquei mais chata. Cheia de vontade. Muito opiniosa(?). Significa que eu estou mais exigente com os meus sorrisos – mais bonitos depois da cirurgia – e mais criteriosa com quem os recebe. Abri mão da hipocrisia de que nunca gostei, e a minha não obrigação de ser simpática fez de mim mais verdadeira. Os amigos que fiz são bem vindos, serão zelados e cuidados e há uma torcida para que virem velhos amigos. Houve também os velhos amigos instantâneos.
Deixei ir o que já não me fazia bem, o que na verdade nunca fez, vi que sempre tive razão em não remoer mágoas ou guardar rancores… ando muito ocupada. Ser feliz ocupa muito tempo.
2007 foi o ano em que eu mais fiquei doente seriamente, sejam as já populares e registradas crises de garganta, esse ano digivoluidas pra bronquites, sejam os outros probleminhas que só o creme chantily dos vips conhecem. Aprendi a conviver com os meus cachinhos, até quando eles estão desgrenhados pelo sono ou por mãos alheias. Passei o natal em família muito longe de casa, dividi o outro blog com um Canalha de leve e barbudo, e talentoso. No mais, ando muito bem obrigada, e ‘já sei quem eu quero que me leve pra casa”. E ele já está levando.
Feliz Ano Novo.

ps. Atendendo ao pedido de quem me levou pra casa:

Luciano

Papai Noel às vezes comete seus enganos:
Dar um ursinho de pelúcia de presente pra Luciano,
Que foi atacado por um urso negro esse ano!

-Tim Burton-
(a poesia mais executada no Natal desse ano, apesar dos meus protestos)

Até o fim da semana eu volto com os textos selecionados.

Concurso cultural

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Ho Ho Ho!!!
Agora que as inscrições acabaram, continuo lendo os contos enviados. Em virtude da falta de tempo, acabei acumulando alguns contos por ler. Aconteceu que brasileiro deixa tudo pra última hora, e fiquei maravilhada diante da minha caixa de entrada ontem com novos 16 contos.
Então, agora são 49 textos pra ler, prometo postar o mais breve possível.
No mais, Feliz Natal a todos, um ano novo melhor ainda, e o meu balanço de ano novo que tá meio feito, eu concluo quando eu mesma concluir alguma coisa dele.
Beijos, e boa sorte aos concorrentes!

Meu cartucho de tinta colorida

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Um dia acontece de ficar acordada enquanto ele dorme na nossa cama. A barba por fazer porque eu não deixei; o jeito em paz de quem tem bons sonhos que sempre me rouba sorrisos quando eu acordo antes só pra vê-lo dormir; a curva do lábio cheio que me dá o frio na espinha cada vez que ele sorri; a mão grande pousada no peito largo que sobe desce ao sabor da respiração do sono.

O cabelo macio e escuro onde penso duas vezes antes de passar a mão querendo e não querendo que ele acorde porque é imensamente chato ficar acordada sem ele. A lembrança de que não estar com ele é um pause na vida porque a graça é dividir tudo com ele; a lembrança do jeito dele me dizendo “Boa noite meu amor” antes de cair no sono profundo segundos depois; o jeito como ele diz que me ama quando eu o acordo pra um último beijo de boa noite; o nariz que ele não gosta; a cicatriz no queixo com a falha na barba que me desmonta facinho facinho.

A polo listrada, sorvete de abacaxi ao vinho, meu sorriso continuando no dele e a certeza de que não tem mais nada que seja só meu do mesmo jeito que não tem sonho que não seja nosso. Aquele balanço de rede e uma gargalhada sem fim. Bolo de chocolate. Cocada. Cajuína. Coca-cola. Casablanca. Gilmore Girls e aquele copo de gelo derretido que eu derrubei no chão e molhei tudo por não resistir e pular em cima dele pra abraçar de novo só porque ele ficou lindo na camisa vermelha listrada.

Ele vira o rosto dormindo e eu lembro de quando fiquei a madrugada inteira fazendo uma lista de presentes de casamento montando a “nossa casa”; da vez que ele disse que não ia adiantar lutar contra porque a gente pertence um ao outro e a minha atual cara de choque porque ele enxergou isso bem antes de mim. Ele sempre me salvando de alguma coisa e me dizendo que não tem no mundo outro lugar pra ele enquanto acomoda a cabeça no meu colo pra um filme. Será que ele faz idéia do vácuo que fica quando ele vai embora e do tamanho da mudança que ele trouxe pra a minha vida?

Lembro do jeito que a minha mão tremia quando ele desceu do ônibus distraído; o jeito como ele me pergunta se eu sei como eu sou linda; o jeito como ele me segura a mão quando a gente anda por aí com ele cantarolando musica boba pra me fazer rir. As risadas que eu dou só de lembrar do jeito dele me fazer rir. Cada uma das sardas do ombro dele, e o jeito como ele diz que a gente vai ter uma casa do jeito que a gente quiser e os milhões de desenhos que ele já fez dela. O jeito dele me dizer as histórias que contará aos nossos filhos enquanto eu espio escondido.

É aí que eu não agüento. Subo na cama o mais suavemente que consigo e sussurro um “bom dia” entre beijos na orelha dele enquanto me pergunto como é possível se ser tão feliz em dezembro e como é possível amar tanto assim. E o meu sorriso casa se abre no rosto dele, será que ele sabe que eu continuo nele? É quando ele me puxa com força pra ele e devolve o bom dia e me dá lugar na nossa cama. A gente planeja o dia e eu sei que todas as minhas ambições de felicidade são visualizadas dali: do espaço entre os dois ombros dele.

Curtas

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Daí que é natal de novo. Aquelas musiquinhas, rabanada de Dona Jussara, Esqueceram de Mim de novo na televisão e todos os filmes de natal se revezando entre os canais, um monte de amigo secreto sem futuro em que em pelo menos um eu já me arrependo mortalmente de ter entrado. Só não acho em caráter total a minha clássica depressão de fim de ano. De resto, tudo aqui.

Gustavo

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E o Gustavo nasceu!!!

Ta, ele nasceu já tem quase um mês, mas eu só queria escrever a respeito quando eu tivesse foto dele, e eu só consegui agora.

Nasceu enorme, com mais de quatro quilos e só faz dormir. E mamar. Muito. Mesmo. Guiga- tia babona e desnaturada que só foi visitar uma vez- diz que não vê a hora de ver ele jogando bola, torcendo por um time de verdade – porque se for curinthianu, vascaíno ou framenguista eu deserdo- e desmontando coisas pra saber como o mundo funciona.

Mais um futuro engenheiro, ou médico. Porque advogado já tem de fazer lama e quando ele for fazer vestibular vai ter um humano para cada 15 advogados em Mossoró. E ninguém aqui tá desejando o mal pra o recém chegado que dorme inocente e (ainda) não dá trabalho. E nem chora quando recebe vacina. É macho, po*ra. Esse aí veio pra fazer tudo diferente. E pra ser daquele lado das pessoas extraordinárias que nascem com o beijo da bruxa boa que também beijou Dorothy quando ela se perdeu em Oz. E Gustavo só vai se achar.