Ano novo, Anna nova

Publicado em Idiossincrasias


Amanhã já é Ano Novo. E se 2008 está morrendo, morre com ele tudo o que eu não quero mais na minha vida. Isso não é promessa de ano novo. Não está numa lista. Foi uma coisa que eu realmente fiz. Desde o ano passado eu tenho tido oportunidades imperdíveis de peneirar os amigos, os familiares – não que dê pra deixar de ser parente, mas dá pra saber onde se pisa -, os coleguinhas virtuais e os amigos que não moram perto. É com felicidade que chego à conclusão de que soube aproveitar cada uma delas.

2008 foi o ano de eu me descobrir. Aprendi a ficar comigo mesma numa proporção nunca antes experimentada. Foi o ano de dizer basta, de dizer não, de ignorar absolutamente o que não quero para mim. Mas foi, sobretudo, o ano de saber o que eu quero e o que eu não quero pra mim. Ano de percepção. Um ano de sentidos. Algumas pessoas lembrarão de mim como um problema quando o assunto for 2008; a mim será o ano em que eu chutei o balde e dei a cara pra bater. Pela primeira vez na vida o que eu pensei foi mais urgente do que um suposto bem comum que na verdade era só de duas pessoas quando devia ser de 35. Fico feliz de ter honrado os meus peitos de ter discordado, dito não, mandado as favas e curtido a minha festa do jeito que eu quis que fosse. Ano da minha total falta de paciência com tudo o que eu acredite que não deva ser.

Ano em que eu vi mais filme do que li, e percebi que tinha lido bem pouco. E escrevi linhas minguadas por aqui também, mas dessa vez não haverá desculpas. Não escrevi por razões várias. Não deu pra fazer em alguns momentos; os assuntos ficaram velhos quando dava; nada acontecia em outros momentos; eu não tive vontade em outros. Esse blog nasceu entre outras razões de uma necessidade que eu tinha de usar o meu vasto tempo livre, que foi reduzido a nada diante da necessidade de estudar para ter o salário dos meus sonhos que certamente me proporcionará muito menos tempo.

Não larguei o blog de vez – de novo – porque eu preciso escrever às vezes. E por que eu adoro essa vida blogueira mambembe que eu tenho. A verdade é que eu precisava resolver um “moi” de coisas na minha cabeça. E eu já resolvi muito. Falta um outro bocado. Às vezes terminar a faculdade é ótimo porque se sai com uma profissão ou um emprego. Eu saí bacharela e a única coisa que isso me dá é aval pra fazer concursos de nível superior. Estou tentando. E chegarei lá.

Pra 2009 quero continuar mutante. Quero usar mais vestidos, abraçar mais quem é de abraço, cozinhar mais e descobrir minhas próprias receitas. Encontrar com essa Anna que eu to aprendendo a conhecer e mora no meu espelho, saber o que ela quer. Aprender a calar mais, a confiar menos, e estudar tarot cigano porque a cigana que leu o meu destino acertou em tudo. O engraçado é que ela disse que tinha muita inveja em cima de mim e eu devia ficar quieta quanto aos meus projetos pois tinha ladrão entre os invejosos. E eu ri. Ri porque fez um sentido miserável. Como poucas coisas na vida fazem.

Quero passar mais tempo com a minha mãe, porque eu sou uma versão moderna dela e o modelo original é bem melhor, eu garanto. Eu pretendo continuar amando e me permitindo ser amada. Continuar construindo um futuro junto e morando naquele abraço e conseguir botar em palavras o que me engasga sempre que eu tento discutir essa felicidade e o aprendizado de se estar junto. E de como é importante. Mas “falais baixo se falais de amor” e esse ano eu aprendi a sussurrar, telepatia… a silenciar e dizer tudo sem palavras. E quem quiser que morda as costas.

Não pretendo abandonar o blog. Mas se eu mudei, ela precisa mudar também, como eu já devo ter deixado claro, o que não segue o meu ritmo não me acompanha. E estou reformulando pra não comprar um Caderno novo. Aguardem a resenha de Max Paine (?), o pior filme que eu vi esse ano. Eca.

Feliz Ano Novo, Paz, Amor, Dinheiro, Saúde, Coca- Cola e Evolução pra todo mundo.