Um ano de filme Kabluey(2007)

Publicado em Cinema

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Salman (Scott Prendergast) ajuda sua cunhada (Lisa Kudrow) a cuidar de seus terríveis filhos enquanto seu irmão está no Iraque e tenta manter a família unida. Para isso aceita um trabalho humilhante em que tem que se vestir de um boneco azul gigante.

E o que você pensaria se visse um boneco azul gigante em acostamento de alguma BR por aí?

O que faz Kabluey – que por alguma razão eu só quero chamar de Flukey – um filme ótimo é ser hilário em suas coisas mais simples. A graça da coisa é exatamente o cotidiano dos personagens: o cunhado babaca, a fofoca das esposas ricas, a cara de demente de Salman (Scott Prendergast). Acredito que seja o primeiro longa do diretor e também roteirista Prendergast, definitivamente alguém para se ficar de olho e criando expectativas de novos trabalhos de igual excelência. Além de ser realmente surpreendente que alguém com aquela cara consiga escrever, dirigir e protagonizar um filme tão inteligente, só prova que os nerds realmente são demais.

Eu gostei de tudo no filme, inclusive do fato de não muita gente saber dele, dado que eu sou egocêntrica e adoro saber do que mais ninguém sabe porque eu gosto de dar boas dicas para as pessoas. É mais um filme da leva de politicamente corretos que abordam o Iraque e o drama das famílias com parentes em conflito armado. Lisa Kudrow está ótima como a esposa de um marido em guerra e os meninos são realmente uns pequenos demônios e dazem o tio parecer ainda mais babaca.

A direção cuidadosa de Prendergast nos dá um filme de uma fotografia linda, um elenco afinado e uma trilha sonora personagem do filme, que complementa o tom de várias situações. É divertido e inteligente, sem forçar ou pesar a mão em qualquer ponto. O meu tipo preferido de filme, com ROTEIRO inteligente, um elenco realmente bom e só lamento que o personagem de Jeffrey Dean Morgan tenha sido tão secundário sendo ele tão ótimo.

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Não dá pra não botar foto dele

A ideia de Kabluey é o crescimento e o encontro de uma família em crise consigo mesma para que, juntos, consigam encontrar a força para superar os problemas. E se para reunir a família for preciso usar uma fantasia de um boneco azul gigante, então será feito.

Machos de Respeito

Publicado em Crônicas, Idiossincrasias

Eu estava assistindo desinteressadamente, já que não acompanho, Grey’s Anatomy e vi um ator lá que é A Cara do Javier Barden (suspiros). E aí lembrei que um coleguinha lá do curso, quando eu tava mostrando uns atores que fizeram um filme que elas viram e gostaram e estavam procurando mais filmes com eles, brincou dizendo que nós gostávamos do Reynaldo Gianechini (?). Eu, particularmente, não tenho tesão nenhum pelo ex Marília Gabriela, do mesmo jeito que não via graça em Brad Pitt de Encontro Marcado. E a razão é simples: eu, antes de blogueira, princesa, concurseira e desempregada, sou uma fêmea em idade reprodutiva.

Fêmeas tendem a procurar, com fins reprodutivos conscientes ou não, aquele que lhe pareça mais viril, másculo e afins. Javier Bardem e o tal do Jeffrey Dean Morgan – o cara que parece com ele e que tá em Watchmen– assim como Russell Crowe e Bruce Willis têm uma coisa em comum. Todos eles são machos.

Eu gosto que me puxem pela cintura e me arranhem o pescoço com barbas por fazer. A graça da coisa é sempre o oposto, o contrário. A minha pele macia e sedosa com o peito peludo na medida dele, a minha mão pequena e delicada com a mão grande dele, eu chorando em filme de cachorro e ele ali forte e quentinho me abraçando. A clássica idéia dos papéis masculinos e femininos. Aí eu paro e escuto o povo falando que depila o peito, passa gel no cabelo e outras “metrossexualidades” desse tipo. Metrossexual é pior do que bonzinho. Não faz medo pra ninguém, já dizia Didi Mocó. Aí me quebra.

Eu sou do tempo que macho não diferenciava branco de bege e creme. E sou franca em dizer que dou o maior valor. Eu gosto de ser mulher. Não sou feminista alardeada porque eu sei do que eu posso e do que eu não posso e não ligo de preparar o almoço, o jantar e nem de lavar a roupa. Não é que eu não possa ser a CEO de uma grande empresa, é que eu não quero.

Homem pra mim tem que ter cabelo no peito, mão grande, ombro largo e feições grosseiras, queixo quadrado, pomo de Adão saliente e barba. Delicado é o meu rosto, o meu colo, o meu jeito. Homem precisa ser macho pra eu poder ser fêmea. Todas as relações amorosas precisam de uma parte mais incisiva, mais masculina, mais viril, sendo homo ou hetero. Eu sei que eu sou bem mulher e preciso que meus hidratantes sejam só meus. Sou o pacote completo, a TPM, a frescura, a fofoca, a mania de comprar, o jeito de pedir pra abrir o vidro e de compensar os pequenos atos de heroísmo, como matar a barata, de um jeito só meu que certamente faz o herói se sentir o mais sortudo do mundo, pensando bem, sortudo não, mas ele sente que é um reconhecimento do ato de bravura dele.

Não é que eu goste de trogloditas estúpidos, longe de mim! Eu até gosto quando vejo de terno, mas não nego que quando a camisa sai de dentro da calça e abre uns botões do colarinho e posso ver o começo do peito é muito mais interessante. Eu gosto de homens inteligentes, perspicazes, que saiba o que fazer com o que tem na frente. Porque alguém precisa ser macho e é bom que não seja eu. Quem quiser seu metrossexual que seja feliz, eu prefiro os machos.