Da série: daquilo que me irrita – cinema

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Eu comecei a fazer posts sobre filmes por força de pedidos de indicações que sempre recebo. Claro que eu acho que se alguém me pagasse pra ver e comentar a parte do comentário perderia boa parte da graça, mas ia ser um emprego bem melhor que qualquer um que eu consiga estudando Direito. Eu não costumo ler outras resenhas dos filmes que decido comentar. Na verdade poucas coisas me irritam mais do que ler a opinião de críticos “profissionais” sobre filmes. E até parei mais ou menos de postar resenha aqui pra tentar entender a razão de eu me irritar tanto com isso. Mas como eu sou dura na queda, cheguei a uma conclusão que para mim faz todo o sentido do mundo – e isso quer dizer que mais ninguém vai entender xongas.
Eu tenho vontades. Tanto de tomar sorvete de limão num dia quente – ou frio – ou de escutar a Rock DJ quando eu ligo o – inserir a palavra de baixo calão que lhe for conveniente. E eu sou uma pessoa intensa, quase passional. Eu sempre fui mais Scorsese do que Polanski. Mais Garcia Marquez que Saramago. Convenhamos, eu nasci no nordeste do Brasil e gosto de colorido, de América Latina e daquilo que me faz humana. Eu acho que cariocas não entendem nada de carnaval porque ficar sentado vendo gente em roupas coloridas desconfortáveis é patético. Carnaval é meio de rua, é criatividade e folia de verdade. Minhas vontades são superlativas todas. Eu tenho isso como certo. Eu quero sempre muito, quero sempre agora e quero sempre me lembrar de que eu estou viva agora, não daqui um tempo.

Então, quando eu quero ver um filme, dificilmente qualquer filme dá certo. Eu tenho vontade de ver comédias romanticas, ou suspense bem amarrado, um drama bem construído. O filme que eu quero ver pode ser pra me distrair ou porque eu ando querendo conhecer algo, rever um ator que eu tenha gostado em algum filme ou série. Se eu não estiver no clima de seriedade, dificilmente vou gostar de Louca Obsessão. E eu adoro Louca Obsessão.
Certos filmes são apenas entretenimento. Não se pautam a criar valores, ou o público não deveria deixar que o fizessem. Cinema pra mim pode ou não ser coisa séria, mas é sempre uma vontade a qual eu me entrego feliz. O problema é que se cria muita teoria sobre filmes onde eu nem sempre consigo ver a necessidade. O Código da Vinci me parece uma tentativa desesperada de ganhar dinheiro as custas de um best-seller sim, mas uma direção de pulso mais firme e a ausência de infográficos teriam ajudado. Casablanca não é cult, e ver filmes em preto em branco não faz de ninguém um intelectual. Há dias em que eu tenho necessidade de Casablanca, que é um dos meus filmes preferidos e um Zé aí que o tinha como uma catarse e passou a odiar o filme por ter se apaixonado pela Ilsa aqui e eu não acho que neuróticos façam o meu tipo. Ele disse que o filme foi destruído por mim e tinha parado de analisar a película pra não pensar em mim. Oh Céus! Meus sais!
O que eu estou tentando dizer é que cinema por vezes é só cinema. Uma história encenada que pode ou não ser crível e eu preciso estar disposta a passar uma hora e meia da minha vida vendo. Não que vá ser sempre bom, ou deva ser sempre ruim, mas tenho visto uma acidez desnecessária e pouco prática por aí. Vi uns amigos descerem a lenha em PS. Eu te amo. Como eu já vi faz um tempo, fui rever. Caramba, eu adorei o filme. Não achei uma história que devesse dar o Pulitzer pra ninguém mas é um filme gostoso de ver. Não sei se porque eu sou muito parecida com o Gerry da história – e paquero a ideia de performances musicais estapafúrdias e venais – e namoro uma pessoa tão organizada e responsável quanto a Holly. Eu me identifiquei com a idéia de que exista um amor tão grande que a morte iminente não acaba com a necessidade que se tem de cuidar de alguém.
O Butler tá deliciosamente interessante, o Daniel – não sei o nome do ator – é inteligente, a Swank tá bem como a Holly e eu não sei resistir a Jeffrey Dean Morgan, ainda mais quando ele é da Irlanda, marrento e sensível, toca violão, lança aqueles olhares bem dele e… enfim. é um romance com uma trilha sonora gostosa, uma fotografia bastante boa e cheio de personagens masculinos mortos – sem trocadilho – de charmosos. Praticamente irresistíveis. Mas não resolve a crise econômica e nem se propõe a isso. É pipoca pra comer de dois, agarrado no sofá ou com as amigas, pra comentar maliciosamente todas as seqüências. Cinema pra mim é vontade. E eu estava com vontade de ver uma história em que um cara conhece uma garota, acontecem vários problemas e no final dá tudo certo. E se você pensar bem, até sexta-feira 13 é assim.

Que livro você é

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Vi na Jana e não resisti. Tinha que saber que livro eu sou:

“Antologia poética”, de Carlos Drummond de Andrade

“O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua”. Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
“Antologia poética” (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.

Adorei. A minha cara mesmo.