Michael Jackson

Publicado em Idiossincrasias

Tá. Eu fiquei triste com a morte de Michael Jackson. Triste mesmo, alias, não consegui ainda me furtar de uma certa incredulidade. 80% de mim quer acreditar que ele vai aparecer numa divulgação do álbum póstumo que certamente vai sair com um novo passo de dança, uma nova plástica mal sucedida e mais sucesso estrondoso.
Eu não posso dizer que sou uma fã, dessas de camiseta, de saber tudo da vida dele e coisas assim. E sabia uns passos de Thriller, houve um tempo que tudo o que eu queria era fazer um moonwalk(er?) e por um tempo bastante breve eu até consegui. Claro que há muito de Michael Jackson que eu não sei e determinadas partes assaz obscuras e mal explicadas. Não. Eu não acho que ele tenha sido apenas vítima o tempo todo. Mas eu acredito que ele tenha sido vítima em pontos cruciais.
Uma vez me chamaram de alienada por me recusar a assinar uma manifestação imbecil contra a venda da Vale depois de alguns anos que ela se realizou, outra vez de elitista por ter me recusado a apoiar o assassinato de crianças não nascidas, uma terceira vez deixaram bem claro que eu não era bem vinda por eu insistir em agir de acordo com o que eu acredito. Em nenhuma delas eu me importei, não vai acontecer agora.


Eu sinceramente acho que ele não molestou aquelas crianças. Alguma coisa pra mim nunca bateu ali. Eu não estou dizendo que é normal um homem adulto ter um rancho chamado Neverland com vários brinquedos, um zoológico e um parque de diversões, e crianças que não são suas onde ele brinca para compensar uma infância traumática. Não deixaria filho meu ir brincar lá sem que eu fosse suficientemente íntima pra saber o que acontece lá dentro do mesmo modo como filho meu não vai brincar com adulto nenhum longe da minha vista. Não é pessoal, é precaução.
Eu tenho experiência de prática jurídica suficiente pra saber que onde for possível obter renda, por mínima que seja, vai dar confusão, e eu nem consigo imaginar quanto dinheiro ele tinha. Já vi gente ir às vias de fato por conta de uma pensão de vinte reais, já vi criança visivelmente desnutrida enquanto a mãe calça Arezzo e o pai é político. O que eu vi me fez sempre ter um certo pé atrás quando me contam um história e a imprensa tem um histórico carcará de gostar de sangue.
Pode ser minha ingenuidade, pode ser falta de informação, pode ser o meu cérebro moldado pela tendência que eu tenho de não acusar e julgar antes de ver as provas. E não houveram até onde eu sei. E não nego que por mais estranho que fosse o Rei do Pop, ele parecia mais uma figura atormentada, alguém que tava tentando desesperadamente receber aprovação por alguma coisa, ser reconhecido como mais do que aquilo que pintavam.
Sou de opinião que às crianças devem ser crianças, e devem ser adolescentes os adolescentes bem como adultos os adultos. E eu não existia quando Michael Jackson tinha blackpower e cantava no Jackson 5, vi thriller no Cinema em Casa no SBT e só aprendi o valor quando eu cresci mais um pouco. O Michael Jackson que eu conheci e cresci ouvindo fazia doações milionárias a causas que nem todo mundo lembrava, cantava a igualdade e dizia que não importava a cor desde que fosse amigo. Não combina com um monstro pedófilo – pedofilia com um piá de 14 anos é muito abusar de boa vontade minha.

Pra mim é mais crível a mãe do garoto ter o caráter questionável, todo mundo sabe que dinheiro cega. Eu acredito que o Rei do Pop tenha sido um homem com problemas psicológicos em vários aspectos e precisava de uma ajuda psiquiátrica mais séria. Acredito que sem uma família excelente nenhuma criança agüenta o tranco de ser sustentar todo mundo de casa por força de seu trabalho e sem ter direito a ser uma pessoa em desenvolvimento. Acredito que pai e mãe devem zelar por isso. Acredito que esse não cuidado e a dobradinha da mãe religiosa fervorosa mais pai asqueroso não podia gerar adultos saudáveis.

O que não entendo, por mais que me expliquem e ninguém me explicou, é como alguém com tanto dinheiro, com acesso a tanta coisa, procurou cirurgiões plásticos tão açougueiros. Só se explica se tivesse havido uma recusa dos médicos dotados de licença em novas plásticas e ele ter ido atrás de mão de obra menos qualificada e as plásticas por si só já são sinais suficientes de uma imagem pessoal ao menos deturpada. Eu sempre achei que ele não era feliz. E eu também estou cada dia menos feliz com a constatação de que os meus preferidos morrem de overdose que nem a música do Cazuza, de quem eu gosto bem pouco. Nunca tive muita paciência para imaturidade e frescura, mas algumas letras são ótimas.

Eu cresci ouvindo Michael Jackson. Cresci vendo ele dançar. Não tive pôster na parede dele como tive dos Backstreet Boys e do Axl Rose quando era gente. De algum modo, eu achei que sempre haveria Michael Jackson. De uns tempos pra cá andava ouvindo menos, ver o jeito como era exposto a imprensa me deixava sempre triste. A idéia que eu tenho do Rei do Pop é a de um homem atormentado pelo mundo e pelas pessoas que ele cantou poder mudar o mundo e tocar o céu enquanto pedia ajuda por não poder fazer sozinho. Eu lembro de sempre pensar que devia ajudar, e mesmo achando inócuo eu querer ajudar a salvar o mundo, se Michael Jackson, sendo Michael Jackson não pudesse fazer nada, mais ninguém podia. A primeira vez que eu ouvi Cry eu quis ser médica da Cruz Vermelha. Há uma série de canções dele que me dão vontade de fazer mais. De ser mais. E finalmente, existe algum procedimento ou medicamento que faça alguém ficar branco?
Michael Jackson sempre foi pra mim meio etéreo, e eu realmente achei que ele não ia morrer nunca. E não vai, deve ta contando história com o Rei do Rock e o Rei Lagarto. Me entristece que meus heróis fiquem velhos, parece que pequenas partes de mim morrem com eles. Do Rei do Pop a minha dúvida sempre foi quanto a própria mortalidade, acho que todo mundo sabia que se fosse possível que ele morresse, seria mais ou menos assim. Parece que os reis sempre vão do mesmo jeito. Paciência, é torcer para que existam coisas boas em maior número que as más que certamente existem, mas que figura que quis fazer a diferença não foi polêmica? E ninguém se esqueça que Michael Jackson tinha consciência social antes de Bonno e de Jolie. Acho que é isso, ele deve ter voltado pra casa e eu tenho que entender que preciso começar a realizar meus sonhos. Tava lá na lista das coisas a fazer antes de morrer: ver show do Rei do Pop. Agora não dá mais. E isso me dá a sensação bastante cruel e talvez a verdadeira responsável pelo meu choque e desanimo desde a notícia da morte, de que eu estou demorando demais pra realizar meus sonhos.

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Alguém sabe como faz p tirar férias da vida?
Alguém sabe como faz p voltar p o ponto em q desandou?
Bláh. Paciencia tão esgotada com tudo. Tão blergh.
To pensando seriamente que é melhor eu fumar os livros, quem sabe assim eu aprendo mais? Só ler não tá dando muito resultado.

Bah. A crise e mais ou menos isso. Se persistir eu posto foto do cigarro de livro, da fogueira de cadernos e da minha rede em dois coqueiros perto da barraca de coco verde na praia mais próxima.

Culpa minha. Eu sempre quis abrir cabeça. Não sei pra que eu fiz aquela faculdade sem futuro e cheia de gente insuportável.

Aos navegantes: se você não tiver certeza mais absoluta que o 0 Kelvin, NÃO FAÇA DIREITO.