De como virei eu – I

Publicado em Idiossincrasias

Um dia eu percebi que tinha uma coisa me corroendo e não era a azia peculiar. Era um medo. Não o de barata, que não é segredo pra ninguém, mas um medo maior, mais sombrio. Medo de virar robô. Acho que vem daí minha tendência ao incomum. Eu percebi que havia vários hábitos meus comuns a uma infinidade de pessoas e como todas elas eu não pensava ou questionava nada a respeito. Comecei a pensar, jamais me agradou coisas charmosas serem produzidas em larga escala e vocês hão de convir que produção em massa não nasceu pra tudo.

Gosto de pensar que eu sou uma pessoa sem igual ou similar. Anna gosta de ser Anna. E gosto de me bastar nisso. Passei a pensar minha rotina e a ter preconceito com o que eu não gosto, ou o que acho que não gosto. Desse modo, passei a não comer maionese porque na verdade eu não gosto, e com a maionese foi embora várias pequenas coisas como o guaraná, ambientes cheios, novela da globo, grupos de pessoas no mesmo meio que normalmente são vistos como amigos, revista Veja, a fanta laranja, FMs, ferramenta de visualização de visita do Orkut e o próprio Orkut só não foi junto por que é útil de certa forma.

O próximo passo foi perder a vergonha. Admito que eu tenho uma certa neura psicológica doente de conseguir a aprovação da minha mãe e fora isso eu peso e pondero tudo o que eu acredite que deve ser ponderado. E sim, eu sei faz tempo, e vivo isso, que eu não preciso provar nada pra ninguém. Perdi a vergonha do que poderiam achar de mim se descobrissem que eu não dou a mínima pra quando a Copa do Mundo vai ser, ou as Olimpíadas, ou o Campeonato Brasileiro. Eu gosto de passar o dia de pijamas, vendo televisão ou filmes. Acredito que Cidadão Kane é um filmão, mas Quero ser Grande é bastante melhor. Nunca vi Lost e adoro Chuck de Gossip Girl. Acho que Smallville já foi bom, que eu não preciso ser amiga de alguém que eu não gosto só por conviver todos os dias.
Não gosto de Senhor dos Anéis, achei os filmes chatos e os livros uma definição de tédio tão boa quanto Guerra e Paz de Tolstoi. Crepúsculo não é o tipo de filme que me faz sair de casa pra ir ao cinema, mas eu vejo se o dvd tiver em casa – não que eu vá alugar. Recentemente desenvolvi o hábito de ler gibi. Descobri que Neil Gaiman é foda, Dylan Dog é massinha e agora estou sendo iniciada na leitura de mangás. Ainda acho bastante desconfortável ler uma coisa de trás pra frente, mas eu sempre li revistas de trás pra frente, então não entendo de todo porque eu acho tão desconfortável e não inteligente ler “errado”.
Um dia me disseram que eu sou uma she-nerd. Eu achei graça. Mas eu sou. E não é que eu goste de rótulos, mas esse até que me agradou. Agora me falta uma certa persistência e parar de me distrair no caminho. Eu preciso estudar pra passar num concurso bom que pague a vida que eu quero ter. Porque ser nerd e anti-social tem um custo maior do que viver de boemia.

Para Sarah.