Va à Merda

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Li e Gostei. Do amigo Emerson Linhares, @elinhares37

Và à merda!

Emerson Linhares

A merda do coronel

É igual a merda do cangaceiro

Que não difere em nada da merda do pedreiro

Sequer do governador

É merda do senador, do deputado, do ladrão

A merda de D. João, de D. Pedro e do lacaio

É a merda no baralho, no pôquer e no bingo

Isso é a merda sorrindo, porque jogaram- na no ventilador.

E a merda do doutor é desinfetada? Que conversa! É nada. É igual a do padeiro.

Que é igual a do sapateiro, do prefeito e do bombeiro.

Da atriz ao retirante, a merda andante invade todo o país

É a embaixatriz do Passo Fundo

É recheio de bolo imundo, que o corpo humano não quis.

E a do arquiteto é mais trabalhada? Que nada, é desarrumada igual a do vereador.

É igual a do pastor, do padre e do bispo.

É merda de submisso, pedófilo e estuprador.

Mas não digam que a merda do rico é de ouro, pois também sai pelo “anel”

Do mesmíssimo jeito que a do pobre sai.

É a merda do capataz, do fazendeiro e do barítono.

A merda do marítimo, interessante é submarino em mar aberto,

É a merda do sucesso de um modelo que se diz ator.

Merda de cantor, guitarrista e zabumbeiro.

Tem merda no pandeiro e no terreiro de D. Flor.

Tem merda na Esplanada dos ministérios e na macumba.

Esse é um mistério que a merda tem, não respeita seu ninguém na hora do cagador.

É produto que o corpo rejeitou e ninguém segura o tranco,

Chegou a hora, senta no trono, vai trabalhar o zoador.

É merda à fole neste Brasil.

Puta que pariu, nunca vi tanta merda pronta,

É a merda que amedronta os políticos desta nação

E foi não foi tem merda de anão, baitola e gigante.

Tem merda de elefante, de Girafa e Avestruz

Tem merda em Alcaçuz e tome mais fedor.

Para finalizar, não sou merda coisissíma nenhuma, viu seu cocô?!!!

Conto de um amor pausado

Publicado em Contos
Ela ouvia Sergio Malandro cantando Farofa distraidamente na sexta à noite em casa. Resolveu não sair apesar dos vários convites das amigas. Queria ficar de pijama, ouvir música, ler Umberto Eco e, se o sono demorasse a vir, assistir os vários episódios de séries que havia baixado e não tinha visto ou um filminho antigo com uma pipoca egoísta.
Sozinha no apartamento que dividia só com os próprios sonhos, podia se dar ao prazer de usar somente pijamas, como o confortável conjunto de shortinho que começava tarde e terminava cedo e a blusinha que lhe realçava as formas sem lhe tirar a sensação de usar nada. E deitada no sofá, ouvindo Sergio Malandro, lia as deliciosas linhas da “misteriosa chama da rainha Loana” que andava lendo pausadamente e aos poucos, pra absorver tudo e fazer o livro durar mais.
Lá pelas sete e meia da noite, a campanhia toca e ela estranha a falta de aviso do porteiro, provavelmente dormindo outra vez, precisava reclamar na próxima reunião de condomínio. Enfiou-se no robe de seda branco e prendeu os cabelos bagunçados num coque alto. Abriu a porta.

Ele havia decidido ir vê-la quando achou a foto antiga dela sorrindo entre as cartas trocadas anos antes. Nunca tinham se visto novamente, o contato tinha sido cortado quando ele saiu do país pra fazer mestrado e tinha se engraçado com uma inglesinha de olhos claros com quem também não falava desde que ela o deixou por não saber honrar compromissos. E Ela era sempre uma reticência na sua vida que ele nunca tinha podido viver de todo. Havia sempre alguma coisa que impedia e nunca era só a geografia. Era uma coisa de também temer que a cumplicidade das cartas, emails, postais e do amor que lhe havia determinado escolhas pois lhe fazia crescer, fosse apenas especulação.
Temia que não fosse na pele o quanto parecia ser e no fundo tinha medo de magoá-la, sempre soube que Ela era aquela por quem ele sossegaria, e não admitia, mas sempre a amou mais do que a qualquer das várias outras com quem dividiu o leito. E nunca quis estragar o único amor que não tinha terminado em ódio e desprezo recíproco. Ao ver a foto, o sorriso de graça naquela boca honesta havia percebido que tinha andado mal humorado e que já não era mais o mesmo moleque. E se perguntou como ela estaria. Descobriu endereço em dois tempos e pegou o próximo vôo em busca do encontro. Mas o medo de estragar uma coisa realmente boa em sua vida, ainda que inacabada quase o fez voltar pelo caminho feito sem que o porteiro visse. Já havia dado meia volta quando a porta se abriu e ouviu um “pois não” naquele sotaque gostoso que ele sentiu falta e não percebeu.
-Pois não?
Ele virou e percebeu que estava realmente nervoso. Quatro anos haviam se passado desde o último encontro e ela tinha conseguido ficar mais bonita, mais morena e lhe veio a certeza de que ela, naquele robe, com o coque displicente e o mesmo sorriso honesto da foto era a visão mais bonita que já tinha tido. Pensou em como seria acordar do lado daquela com por quem seu coração tinha balançado do jeito que balançou uma vez que fosse. Imaginou como seria ouvir o som daquela risada que tantas vezes ouviu no telefone e que nem lembrava mais como era ouvir ao vivo. Perguntou-se se ela já havia tatuado o desenho da lua como havia se prometido tanto tempo antes. Sentiu seu corpo ser tomado por um impulso incontrolável de saber se o gosto da boca dela havia mudado. Foi quando viu o sorriso na boca morena e deu-se conta da falta que ela fazia.
Ela não reconheceu o homem na sua porta de primeiro olhar. Viu que ele já ia de costas, como se indo embora, talvez pela sua demora em atender a campanhia. Ensaiou um ‘pois não’ para lhe chamar atenção e lhe dizer que ela estava ali. E antes que ele virasse, pelo jeito de mexer a cabeça, reconheceu. Só tinham se visto uma vez, empatia mútua instantânea, aquela cumplicidade que não se explica. Ela era só uma menina esperando a faculdade começar, Ele estagiário, abaixo de gente. E o contato tinha virado beijo e nunca mais se viram. Declararam um amor mútuo e urgente mas a vida tinha levado cada um pro seu lado, e o lado dele era a carreira profissional de sucesso e uma inglesa. Ela tinha ficado, estudado, namorado, ficado solteira e namorado de novo, mas havia pego o que ela achou ser o eleito com uma nissei vendo anime em japonês legendado. Era hentai e eles pareciam muito íntimos.
Ao ver Ele ali, parado na sua porta, lamentou imensamente não estar usando aquela calça jeans com aquela blusinha e a maquiagem fatal. Pensou no tempo que fazia que não se falavam, no que o levou até lá, quem tinha lhe dado o endereço, o que fazer em seguida e, na falta de idéia melhor, sorriu ruborizada para ele.
Antes que Ela pensasse em mais alguma coisa, Ele a beijou com a mesma urgência apaixonada que haviam reprimido. Depois, vendo-a dormir nos lençóis quentes do amor deles, Ele sorriu ao ver a lua tatuada no baixo ventre dela. Moça de palavra, pensou. E admirou a boca cheia, a curva do quadril e levantou da cama pra explorar a cozinha. Achou Nutela e preparou torradinhas, suco e levou na cama uma fatia do bolo de limão que achou na cozinha. Comeram juntos, ele preocupado se ela comia mesmo, lembrava que ela tinha falta de apetite às vezes, perguntou se já havia regularizado o sono que lhe rendera o apelido de babá da noite, sorriram e conversaram como se sempre tivessem feito. Nada se perguntaram, nada se cobraram. E viram filmes de Sessão da Tarde juntos. Ele sempre tentando fixar o cheiro da nuca dela e Ela com cócegas recém descobertas da barba dele em seu pescoço.
E foi assim que permaneceram, como se sempre tivessem estado e experimentaram a alegria de se ser inteiro.

o que Chico Buarque não fizer… é pq foi pouco.


50 Coisas não tão legais sobre a Anna Tomada 3

Publicado em Sobre Ela
  1. Ela não curte ver romances num dia chuvoso.
  2. Ela entende de literatura russa.
  3. É normal se sentir meio burro por ela entender de literatura russa.
  4. Ela troca qualquer refeição por uma boa melancia.
  5. Ela não está comendo direito.
  6. Está cada dia mais gostosa.
  7. Ela não dorme bem.
  8. Ela tem certas olheiras eternas mas que estão diminuindo com o bronzeado, mesmo sem ela dormir.
  9. Não importa o quanto ela queira, não veja filmes de cachorro com ela.
  10. Ela é generosa.
  11. Ela gosta de morangos com mel e é bem sexy a ver comer.
  12. Ela escuta músicas estranhas de bandas que nunca ouvi falar.
  13. Ela tem trilha sonora pra tudo.
  14. Ela gosta do Eco e do Saramago, e você lê e entende, mas nunca vai ter a mesma paixão dela.
  15. Ela ri em horas extremamente inconvenientes.
  16. Ela sempre se apaixona por algum personagem secundário de qualquer série.
  17. Ela combina com Garcia Marquez.
  18. Se ela fosse uma música, seria várias.
  19. Ela tem muito potencial e uma preguiça equivalente.
  20. Ela é boa de abraço.
  21. Ela é muito boa com um papel e um lápis na mão.
  22. Ela realmente não dorme bem, e você acaba se preocupando com isso.
  23. Nada a deixa tão feliz quanto um bom banho de chuva.
  24. Está meio viciada em twitter.
  25. Conhece gente do país inteiro.
  26. Tem certa dificuldade de gostar das pessoas, mas as pessoas não têm em gostar dela.
  27. Ela tem dificuldade em deixar pra lá porque demora pra ela gostar.
  28. Não é muito boa em terminar coisas.
  29. Ri fácil. E faz você rir fácil também.
  30. Ela já teve sonho fazendo um ménage à trois com a Monica Bellucci.
  31. Ela gosta de tudo de limão, inclusive o limão mesmo.
  32. Ela entende você ainda que não concorde.
  33. Precisa de um tempo pra ficar com raiva.
  34. Depois desse tempo, ela te escuta, fala o que tem pra falar e é clara e pontual.
  35. Depois que ela fala, a culpa é sua. Não por ela colocar em você, é que a culpa é sua mesmo.
  36. O cabelo dela cheira bem.
  37. Ela tem um sinal no pescoço que eu adoro.
  38. Também tem um no pé.
  39. Tem uns quatro no rosto.
  40. Tem um perto do seio que aparece quando ela veste um vestido verde listrado simplesmente horroroso que ela adora.
  41. Fascinada por comprar vestidos frescos e baratos.
  42. Pensa tanta besteira quanto você, mas não tem problema com isso.
  43. Ela é honesta.
  44. Reconhece a voz do Briggs nas dublagens.
  45. Gosta de filme de carro e tiro.
  46. Ela precisa de terapia.
  47. Pros desejos do coração dela, o mar é uma gota. Como ela disse uma vez.
  48. Pros desejos do coração dela, uma vida só não basta. Como eu digo sempre pra ela.
  49. Ela anda desalmada e sem coração e tem problemas sérios com compromisso. Em assumi-los, não em mantê-los. O x da questão é fazê-la admitir que quer o compromisso.
  50. Ela faz falta, é minha irmã por nossa escolha, e eu a amo. Mas ela me ama mais porque eu sou gostoso.

Por Daniel

Mais 50 coisas não tão legais sobre a Anna

Publicado em Sobre Ela

1. Ela tem o dente torto mais perfeito do mundo.
2. Ela ama tomar banho.
3. Ela gosta de usar produtos cheirosos no banho.
4. Ela fica cheirosa quando toma banho.
5. Ela é cheirosa mesmo quando ainda não tomou banho.
6. Ela é massa.
7. Ela gosta de ler.
8. Ela lê mais rápido que você.
9. Ela esfrega na sua cara que lê mais rápido que você.
10. Ela come fruta.
11. Ela come mais fruta.
12. Ela é divertida.
13. Ela te olha dum jeito que não tem como você dizer não.
14. Ela gosta de hidroginástica.
15. Ela faz um biquinho lindo.
16. Ela cozinha bem.
17. Ela faz pessoas que não gostam de bolo gostarem de bolo.
18. Ela ama Chico Buarque.
19. Ela fica tarada quando escuta Chico Buarque.
20. Ela canta Chico Buarque na praia.
21. Ela te derruba no mar se você estiver andando na beira da praia.
22. Ela ri quando faz isso.
23. Ela gosta de limão.
24. Ela come sanduíche que não é de limão, mas bem que poderia ser.
25. Ela não gosta de fast food.
26. Ela é nerd.
27. Ela fica bem com óculos nerd.
28. Ela não gosta de filme onde bicho morre.
29. Ela gosta de ver o Cartoon quando fica doente.
30. Ela faz você querer cuidar dela quando está doente.
31. Ela faz você querer cuidar dela mesmo quando não está doente.
32. Ela gosta de Gilmore Girls.
33. Ela ama E o Vento Levou…
34. Ela tem crises de riso.
35. Ela está mais massa agora.
36. Ela se importa com os outros, mesmo não querendo admitir.
37. Ela não toma mais coca-cola como antigamente.
38. Ela é dirige bem.
39. Ela é boa carona.
40. Ela tem um quadro bastante legal na parede.
41. Ela bate forte.
42. Ela é bem bastante preguiçosa.
43. Ela faz você querer você fazer as coisas pra ela.
44. Ela é linda.
45. Ela não gosta de palhaços.
46. Ela mora longe.
47. Ela faz falta.
48. Ela me faz feliz.
49. Ela me faz crescer.
50. Ela me ama.

Por Rafael Espindola

Da felicidade de estar na minha pele

Publicado em Crônicas, Idiossincrasias
E faz mais de uma semana que eu to com faringite aguda segundo o meu hot médico particular. Nesse meio tempo, eu vi um mói de filme que concorreu ao Oscar e fiquei pensando na vida. Brinquei horrores no Twitter, comecei até a seguir a finada Nair Belo; aprendi a fazer deliciosas panquecas de frango; comi coxinha do Rei da Coxinha; senti saudades; brinquei de mudo – e perdi -, joguei paciência spider – e também perdi -, enganei meus irmãos com bolo de chocolate com cenoura que nem dá pra sentir a cenoura; ganhei a insígnia de “quituteira” de um gourmet exigente mas que aprecia sushi com farinha, então eu não sei; ouvi Nina Simone de novo e percebi que se todo mundo ouvisse, não tinha nem implicância de torcida de futebol; criei uma certa dependência de Chico Buarque e não sai mais da playlist é nunca mais.
Percebi que a minha melhor amiga do mundo inteiro ta muito longe de mim, e que isso não quer dizer coisa nenhuma; que eu não me confesso pra muita gente e quando eu o faço, é pra gente por quem eu daria um braço. Ou não. Que eu sinto falta de coisas que eu nem cheguei a ter; percebi encabulada que a história mais trash que eu vou ter pra contar é a da vez que eu fui desafiada a sair puxando o carrinho de picolé que tocava uma música ridícula e eu fui e de uma vez que eu quis passar uma banana podre na cara de uma jovem vaca no colégio, no tempo que eu nem sabia que uma pessoa podia ser vaca.
Descobri que faz realmente um bem profundo esse papo de malhar todo dia, que refrigerante dá mesmo celulite e que água faz muito bem. Comi um negócio típico da Bahia no Ceará que não me lembro o nome e achei delicioso e me apaixonei de novo por Fortaleza/CE. Aprendi a usar protetor solar como uma segunda pele, peguei um bronzeado BONITO com o meu biquíni mais enfeitado que penteadeira de quenga. Senti muita falta de casa estando longe, e do longe estando em casa. Percebi que minha profissão ideal é fotógrafa, pra viver por aí alinhavando o espinhaço do mundo. Notei que não passou de todo minha vontade de ser médica, como também não diminuiu do terremoto pra cá, minha necessidade de adotar um haitiano que passou na TV.
Cantei na praia de noite pra o mar ouvir, e vi peixinhos pularem ondas da praia de Boa Viagem – acredito que de desespero pela minha desgraça musical. Ouvi muito Falcão com aquele ar de respeito pelas verdades várias de suas letras, fui ao teatro, ouvi Lenine de novo. Acrescentei Geraldo Azevedo e Zé Ramalho pro currículo. Confessei um amor sem tamanho por pequenas coisas que me engrandecem o dia. Comi um sanduíche bem falado do Mcdonalds e continuo achando que é uma droga. Constatei que dos seis estados por onde eu andei, o melhor sanduíche você só come em Mossoró, no Sandubar – post não patrocinado – e fico feliz de pertencer a esse lugar.
Tenho me orgulhado mais do meu chão, percebido que meu nordestinês ta bombando com tudo que nem jumento desembestado. E tenho rido. Tenho rido muito. E tenho estado tremendamente feliz comigo mesma.