Faz de conta que é um video (ou verborragia sem sentido pelas cinco da manhã)

Publicado em Crônicas, Idiossincrasias


O grande problema das pessoas como eu planejarem alguma coisa é que, sendo uma pessoa assim muito a flor da pele que eu sou, eu visualizo tudo. E quando não dá certo, e normalmente quanto mais eu quero menos dá certo, eu sofro. Assim, muito. Sabe como é?

Aí eu era uma pessoa bem relacionada quando eu era criança, super entrosada com todo mundo, amiguinha das meninas mais bonitas. Elas sempre viajavam no veraneio – a mulher que trabalhava aqui chamava ‘veronês’ e eu ria pacas – e eu nunca fui convidada. A desculpa era que a minha mãe não deixava, mas eu sempre achei que era por eu não ser uma magrela que nem elas. Eu não era gorda, eu só não era magrela que nem elas.

Aí agora que eu tenho os amigos mais lindos, legais, bonitos, tombados, sucesso e joiados de todos os tempos, eles me convidaram pra ir com eles pra a praia e lá, Matheus, que é assim a pessoa que ganhou o primeiro pedaço do meu bolo de aniversário tomada 2,5 – rolou uma ameaça de morte, mas tudo bem – queria tirar foto minha lá. E ia ser minha estréia no mundo das artes visuais né? Adorei.

Mas não vai acontecer agora. Eu vou viajar pra Natal pra fazer concurso – blergh – e no ensejo, rever um amigo que eu adoro e comemorar que ele já passou no concurso dele – fé que chamam Otavio – e de lá vou pra Recife porque vá lá que se namore a distancia, mas namorar sem ver não existe né?

Aí nessas de viajar, é preciso arrumar a mala. E arrumar mala não é uma coisa de Deus. Sempre esqueço alguma coisa, sempre derrubo toda a organização da casa, sempre causo o caos e sempre gosto de viajar pra ver se eu paro de ouvir os gritos dos outros moradores sobre a minha bagunça e listas do que eu poderia vir a usar se uma bomba h atingisse o meu destino. Aí eu desenvolvi um método de arrumar mala.

Você faz assim: pega tudo que você acha que precisa e taca dentro da mala. Pronto. Certamente vai faltar alguma coisa, claro. Mas a culpa é da falta de tempo dedicado a mala, porque aí você não vai se achar idiota por ter passado o dia inteiro arrumando uma coisa e ainda assim esquecido a identidade que você ia precisar pra fazer o concurso – história real.

Mas aí só tem um pequeno problema: pessoas que não planejam, como eu, não são muito organizadas, então a gente sempre não sabe onde está aquele sapato, se aquela blusinha ta limpa, essas coisas, e dá um baita trabalho pra conseguir reunir coisas o suficiente pra você se enganar achando que realmente fez uma mala.

Mas não se preocupe, essa é a vantagem. O que faltar vai ser realmente fundamental na sua vida, mas aí, sendo fundamental mesmo, você vai precisar de um novo. Então né? Combinado que você viaja, se diverte e ainda renova o guarda-roupa?

Ta gente, eu sei. Mas ó, o post anterior, foi o post 200 do blog. O que me diz que eu sou uma blogueira deveras relapsa. Mas isso não é um emprego, é o meu suspirar, meu sonhar, meu mundo só meu – e de vocês que lêem. Então o blog não é uma obrigação, é um prazer, e pra continuar sendo, posto quando eu sinto o texto.

E eu tenho sentido muitos textos, mas to amadurecendo pra fazer melhor – o que eu não acho que vá dá certo. Mas tentemos. – e não tenho muito ânimo de escrever quando um dos meus canalhas e amigo ta com a perna cheia de pino no hospital. Mas ele vai voltar a jogar bola logo, porque ele tem perna comprida pra correr atrás de rabo de saia, de bola e já teve de correr da polícia também. Amo muito você Daniel, vai ficar zerado logo.

Então, Teófilo, Matheus, Amélia, Gabi, Nayana, Thassio, Herbênia, Celina, Dona do Carmo, mãe de Herbênia, quando eu voltar a gente se senta no nosso bar de novo. Sou só amor por vocês, ta?

E aí vocês todos. de todas as partes, fiquem aí sabendo que eu estarei aqui ó :

Bem, não carregou. Vão lá e botem “natal rn” no google que dá tudo certo. Vou tomar banho pra botar o pé na estrada.

Beijo me liga.

Balanço de idade nova

Publicado em Idiossincrasias

Esse é o meu último post com 24 anos.

Meia noite começa o meu ano número 25 e bem, não estou animada. Não vem como eu achei que viria, não chega na hora certa. Já sentiu que o tempo ta passando muito rápido e você não dá conta? Que todo o seu esforço não é suficiente? Que talvez você só não dê conta mesmo do recado, como muita gente não faz? Então é isso. Meus vinte e cinco anos chegaram num trem bala, porque galopando nem tinha condições.

E eu me fiz várias promessas que não cabem aqui porque foram minhas, só minhas. Botando tudo na balança, como eu faço a cada aniversário e tenho quase certeza que essa minha mania de avaliação é a grande responsável pela minha depressão anual de aniversário, eu entendi que eu não tenho a minha Tucson, nem meu próprio lugar, não conheço meio mundo, não tirei nenhuma foto pra NatGeo, não tenho nem mesmo o meu labrador chamado Escobar que me olharia com olhos de grande sabedoria canina num passeio diário de fim de tarde numa cidadezinha da Europa.

E eu esqueci durante muito tempo o quanto eu queria a cidadezinha e o cachorro. E eu lembrei, como lembrei de muita coisa e estou tentando resolver. Vou lembrar sem saudade dos meus vinte e quatro anos como a idade em que eu comecei a resolver meus problemas com todos os monstros do meu armário. Todos eles. E isso envolve até ter engordado tanto. Foi a idade em que eu me vi inteira por dentro e na faxina interna, encontrei montes de coisas guardadas que eu não lembrava mais que existiam e coisas que eu realmente não quero mais, então to botando os monstros pra fora.

Foi a idade em que eu fiz os amigos que eu sempre quis ter, que me fazem me sentir parte do grupo e não me podam pela possibilidade de um emprego sóbrio que UM DIA eu posso vir a ter e me acham linda, porque eu sou linda mesmo. Foi o ano em que eu comecei a me ver como uma “bêbada social” e isso ser uma coisa boa. A idade em que eu resolvi que não me contenho mais. Quando meus sentimentos começaram a ter mais peso do que eu gostaria. Quando eu comecei a respeitar minhas azias. E respeitar minhas azias foi a minha maior conquista em vinte e quatro anos de existência.

Então, agora, 22:10 do dia 15/05/2010, eu vou encerrando o meu balanço de idade nova, e vou cuidar em dar um jeito no olho de quem não anda muito feliz, porque eu acabo de perceber que eu tenho mais o que comemorar do que achei que teria. E mesmo tudo estando uma porcaria bem grande, eu consegui realizar algumas coisas bem importantes. E eu sei que eu vou acabar onde eu tiver que acabar. Mesmo que não vá ter bolo nesse aniversário, mesmo que eu não vá no show do Magal na Virada Cultural, mesmo sem a minha Tucson, porque eu tenho Matheus pra vir me ver num Logan pra eu ter a melhor comemoração de aniversário que eu puder ter, com o povo lindo mais lindo, VIP e tombado que eu jamais acreditei possível existir, mesmo ele tendo me ameaçado de morte pela falta de bolo.

Porque só se faz vinte e cinco anos uma vez.