Noite de sábado 1

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Eu tenho pensado muito sobre a minha vida. Sobre o que eu já fiz, o que eu não fiz, o que ta parecendo que eu nunca vou fazer e o que ta cada dia mais difícil de fazer. Eu não fiz minha escolha profissional definitiva, não aprendi a nadar, não mochilei pelo Brasil, que dirá pela Europa, plano inicial de qualquer mocinha com os meus ares. Não sou boa dançarina, não consegui ainda não passar vergonha na hidroginástica atropelando os velhinhos com a mais absoluta falta de coordenação motora vista numa pessoa sem deficiências.

Não encontrei o Chico Buarque e falei que sou a menina dele, viu? E nem pedi pra ele me beijar calma e fundo até minha alma se sentir beijada. Não fiquei bêbada demais, não tenho longas histórias memoráveis envolvendo grandes micos, salvo aquela em que eu imitei um gorila, um ganso e outro bicho que não lembro mais numa avenida movimentada.Odeio o meu aniversário e o Natal, dia dos namorados e ano novo. Não obrigatoriamente nessa ordem. Tenho tendência natural pra ser boa praça, disfarço meu instinto assassino muito mal. Viro um ogro de TPM e com fome. Tenho a tendência infeliz de lembrar só das coisas boas quando as coisas se acabam e a pessoa que disse que isso era bom tem o meu ódio eterno. Tremendo canastrão.

Minha vida amorosa não é muito movimentada, mas tenho dois grandes amores pra contar – um vivido e outro não – que renderiam bons filmes, livros, ou novelas da Televisa por quem quero ter muito carinho pra sempre, independente do que aconteça no rumo da vida, mas não dá pra saber também. Não tenho muita experiência com quase nada, salvo bolos, e ando errando muito eles ultimamente. E tristeza de aniversário e final do ano. O último que acertei foi pro aniversário dos meus irmãos.Tenhos amigos realmente ótimos, uns distantes, outros pertos. Amo todos do jeito exato que eles são e acredito que amor aceita, mas não é idiota. É comum que seja mal interpretada, e mais comum ainda que eu nem me importe muito, depois de certas horas de sono, em me explicar, odeio me explicar. Odeio me repetir. Odeio achar que não estou sabendo me fazer entender. Não lido bem com estupidez.

Tive meus dias de fã com pôster na parede, mas ainda não plantei a minha árvore, não tive o meu filho e só sonho muito com o meu livro. Já sei que não quero morar na minha cidade pra sempre, ando escrevendo cada vez menos e sonhando mais. Continuo me recusando terminantemente a ser medíocre e quero muito acreditar que vou conseguir. Não tenho grandes sonhos de grandeza nem feitos grandes que queira realizar – vide tópico anterior – e continuo sonhando com um lugar aconchegante pra chamar de lar, com um cachorro de nome Escobar – que são melhores do que gente – e tenho me divertido imensamente com a idéia de que eu aprendi um pouco a maquiar meu próprio olho. Tenho alguns desafetos e a lista parece ter aumentado esses dias contra a minha vontade, sempre.

Queria muito ser menos emocional, conseguir mais ser fria e responder um email que recebi de um idiota pra quem eu pedi informação profissional sem ter a vontade que eu tenho de perguntar se o analfabetismo dele é capaz de fazer ele achar que eu também não sei ler. Não tenho talento pra jardinagem, queria muito plantar peônias em casa. E margaridas, acho simpáticas.Já me aceito na minha diferença e não espero que o mundo o faça de bom grado. Já entendi que meu caminho é pedreira e que eu vou precisar abrir caminho na marra, com todo o charme do meu sorriso nem sempre sincero e por vezes amarelo, nunca ausente. Prefiro ficar fula a qualquer melancolia, por vezes não dá pra evitar.

Queria ter uma relação melhor com a minha mãe, queria ter mais paciência, não ter abusos tão freqüentes, mas percebo e admito que sem eles, a sobrevivência seria mais dolorida. Não sei o que eu quero da minha vida, mas eu sei que há muito do que eu não quero que já conheço. E dentre o que me espera do meu futuro, eu sei que vai ter nutella; Sinatra; Bogart; conversas agradáveis; limão; bons livros, meus ou não; peônias; ruffles de 400g; margaridas; cachorros e uma boa voz de Nina Simone deixando tudo muito melhor.

Tenham paciência comigo também, tenho só 25 anos, sou só uma menina. Eu mal comecei. Estou em construção.

25 coisas enquanto eu tenho 25 anos

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Quando eu fiz vinte e cinco anos, eu entrei num parafuso enorme por não reconhecer na minha vida a maioria dos planos feitos e sonhos acordados da vida inteira. Não sou boa em realizar planos, então comecei a me sentir o maior dos fracassos humanos por não ver realizados qualquer dos planos e sonhos. Então fiz uma lista de coisas a serem feitas enquanto eu tenho vinte e cinco anos, algumas eu já consegui fazer, outras nem tanto e outras são um exercício diário pro resto da vida. Segue a lista:

  1. Ter um feliz dia dos namorados;

    Consegui! Em quase três anos de namoro, primeira vez que conseguimos passar juntos. E foi muito melhor do que eu imaginei e eu nem achei idiota toda aquela felicidade no ar.

  2. Ter um natal realmente feliz e sem nóias.
  3. Morar sozinha, ou chegar bem perto disso.
  4. Aprender a nadar.
  5. Ler E o vento levou..
  6. Entrar em forma.
  7. Voltar pro inglês.
  8. Ter noites de sono diárias.

    Essa eu já venho tendo, e está sendo ótimo. Espero que dure pra sempre.
  9. Ser menos desastrada e mais organizada.
  10. Ver filmes do Bergman e do Godard
  11. Voltar a ver meus filmes antigos e clássicos e sair mais do lugar comum que ando vendo.
  12. Ter foco.
  13. Um emprego.
  14. Descobrir o emprego que eu realmente quero ter.
  15. Atualizar o blog ao menos uma vez por semana.
  16. Passar mais tempo com a minha avó e a minha madrinha.
  17. Escrever mais usando a minha mão e passar menos tempo no computador.
  18. Ler mais, como eu costumava fazer. E ler um romance do Dostoievski que eu ainda não tenha lido e não só ficar relendo crime e castigo sempre que me dá vontade.
  19. Discutir coisas que me incomodam pra preservar a relação e parar de simplesmente ignorar a existência da pessoa completamente.
  20. Viajar as minhas custas pra qualquer lugar e sozinha.
  21. Continuar respeitando os meus limites.
  22. Parar de tomar Coca-Cola pra sempre.

    Estou conseguindo, Anna Ingrid livre de coca cola ja tem mais de uma semana. Não estou mais tremendo.
  23. Não descontar nada em comida.

    Isso também está acontecendo.
  24. Não sofrer por antecipação.
  25. Ligar e deixar ligado ad eternum o ‘foda-se’ para as disposições em contrário.