Do que faz bem

Publicado em Idiossincrasias

Faz um bem danado uma boa noite de sono. Faz bem acordar sem o despertador me chamando pra qualquer compromisso urgente e chato. Faz bem essa sensação de liberdade. Faz bem enterrar coisas desagradáveis, pessoas desagradáveis. Faz bem, além de qualquer coisa, sorrir pro vento e da vida. Anda muito engraçado viver esses dias.
Faz um bem incalculável vinho, pizza e filminho com as minhas amigas lindas (Meia, Nayana e Kadine, precisamos repetir). Faz bem a sensação nova de visitar uma amiga que se casou e tem a vida dela na casa dela feita sob medida, seja pela familiaridade esquisita das conversas, seja por ver a amiga virar dona do próprio nariz. Faz bem manter laços e descobrir de novo e todos os dias que não é necessário o contato físico pra que não se possa prescindir dos amigos (Gabi, bola de amor); faz bem a mesa do bar com aquele novo amigo de costas largas que te entende e que é único (Téo ó, só amor viu?) ainda que seja pra tomar cerveja e eu não goste.
Faz bem reuniões de família pra comemorar o aniversário da minha avó. Faz bem ter uma família que te ensina valores e a brigar pelo que você quer e acredita. Faz bem ouvir Sinatra, Nina Simone. Faz bem me orgulhar de quem eu sou; faz bem saber que nada é tão triste assim. Faz bem que eu reconheça os meus amigos e saiba que posso contar com eles, faz bem o som da minha risada ser importante para as pessoas cujo som da risada é importante pra mim.
Faz bem a compreensão dos meus amigos, o apoio da minha família maluca que para a maluquice quando eu preciso. Faz bem olhar para a minha estante cheia de livros que me são preciosos, faz bem que minha vontade de crescer seja uma coisa cultivada. Faz bem que eu saiba o caminho e já o trilhe. Faz bem que eu saiba dar a César o que lhe pertence, faz bem que eu saiba reconhecer a pessoa que eu sou e a importância que eu tenho pra não me vender barato. Faz bem que eu não seja simpática à mediocridade.
Faz bem que eu seja serena a maior parte do tempo do jeito que faz bem estourar quando a situação exige. Faz bem que Sinatra seja especial pra mim por ser bom e não por qualquer engano. Faz bem que eu saiba quem eu sou, e não mude de personalidade com o vento. Faz bem ter raízes. Faz bem plantar meu flamboyant, faz bem descobrir a pastelaria nova, faz bem entender coisas antigas, faz bem recriar laços e ter boas surpresas mesmo depois de tanto tempo (Obrigada Vitor, bom te ver Saullo). Faz bem fazer novos laços (Marco, Camila, Juliana, Thiago, Leonardo, Maressa, Leandro e Sabrina) mesmo que eles não pareçam o House. Faz bem zerar contas, fazer as pazes, faz bem descobrir de novo os prazeres simples de tomar sorvete de casquinha quando ta chovendo. Faz bem a falta de senso aparente de Natália. Faz falta demais falar com ela.
Faz bem ver O Poderoso Chefão e perceber que se trata de um filme excelente. Só. Faz bem que eu tenha certa dose de cara de pau, aquela irresistível vontade de dançar, aquele ouvido bom pra música e boas conversas. Faz bem que eu consiga ajudar; faz bem andar de roda gigante tomando um sorvete com aqueles braços quentes em volta do meu ombro porque eu ignoro o frio que faz e insisto no sorvete. Faz bem ouvir aquela risada de volta.
Faz bem ter essa vontade de quebrar coisas com um taco de baseball e saber que eu mesma preciso me bater às vezes. Faz bem me saber coerente, faz bem me entender capaz. Faz bem que eu ria das coisas, faz bem que eu me respeite. Faz bem que eu chore de luto pelo que não deu certo por meia hora antes de seguir vivendo. Faz bem a sensação correspondente aos fatos de que eu fiz tudo o que podia. Faz bem socar o saco de areia do boxe, ainda que eu luxe o pulso.
Faz bem parar na porta da CVC e planejar roteiros e dobrar as risadas. Faz bem voltar a fazer coisas que eu senti falta e a vida de concurseira não deixa fazer muito. Faz bem me ouvir cantar, mesmo que eu cante mal. Faz bem não dever nada a ninguém. Faz bem ter feito o meu máximo, o meu melhor. Faz bem dividir um pote de nutela.