Dos novos amigos, Matheus

Publicado em Idiossincrasias


Eu planejei um tempo atrás escrever uma série de posts sobre os meus amigos. E como hoje eu tô toda trabalhada no amor fraternal devido a umas DMs no twitter e ao feriadão PERFEITO que eu tive, vamos começar. A ordem dos textos não mostra uma preferência entre eles, mas eu quis começar com o primeiro amigo da vida.

Conheçam Matheus. Que já mostrou o mundo pra gente pelos olhos dele, agora eu mostro ele, pelos meus olhos.

Eu ia dizer que quando eu era menina pequena e ia de tranças pro colégio, mas eu nunca usei tranças, então… Quando eu era criança, eu já era chata, mas eu tinha um amigo. Não que eu soubesse o que era isso, ou que fosse uma coisa planejada. Mas eu tinha um amigo, e esse amigo era Matheus. E Matheus e eu éramos muito bons amigos e conversávamos e ríamos e nos humilhávamos publicamente nas apresentações escolares. Infelizmente para nós, quando eu fui fazer a sétima série, mudei de escola e perdemos o contato. Eu fui pra Escola dos Gorilas e ele ficou no Alvorada da vida.

E um dia, anos depois, eu o encontrei na Universidade: o cabelo tipo ‘sorvetão’ tinha crescido e tava numa vibe John Lennon e ele me olhou e sorriu com ar de reconhecimento, mas não me deu bola nenhuma. E eu fiquei chateadíssima e triste um tempão. Tenho certa dificuldade em entender e lidar com mudanças e, na minha cabeça, por mais distantes que a gente estivesse, ele sempre seria meu amigo. E eu acabei tendo razão, já que uma noite aí de sábado eu tava bem triste e ele do nada me chamou pra sair. Eu fui. E a gente teve uma noite memorável e eu lembro de bem poucas noites que tenham sido tão divertidas e significativas. Foi quando eu conheci Teo, Nayana, Herbenia e a gente acabou virando um grupo coeso, lindo e rico, embora liso. E eu finalmente posso dizer que tenho os amigos que eu devia ter crescido com eles.

Matheus é aquela pessoa que tem a segunda risada mais estranha do mundo – a minha é a mais estranha – e é assim.. muito Matheus, sabem como é? Não dá muito pra explicar, ele faz isso bem, e em terceira pessoa. Quase tão tagarela quanto eu, amigo como eu e cretino, como tem que ser pra se ter muito sucesso no meio que ele escolheu. E é uma pessoa assim muito fundamental na minha vida, porque ele vai dizer o que eu tenho que ouvir, sem dó nem piedade, exatamente igual a mim. E ABSURDAMENTE diferente de mim, como não podia deixar de ser. Um dos melhores contadores de história que eu conheço.

Uma coisa que eu acho legal, é que Matheus e imagens sempre andaram muito próximos. Sempre foram indissociáveis. Quando ele era criança, ele era um desenhista primoroso. E eu ADORAVA os desenhos dele, sejam os de trabalhos, sejam os que ele fazia por fazer. Sempre tive certa inveja disso, Deus sabe como eu adoraria saber desenhar, mas eu nunca fui capaz de fazer melhor que bonecos palitos deficientes. Mas, como espinho que vai furar já nasce com a ponta, Matheus cresceu e virou fotógrafo – um bom, sem aquelas coisas bregas tipo o Wando- e eu nunca consegui me surpreender com o fato dele ser esse profissional da imagem tão bom, embora a qualidade do trabalho dele sempre me cause as mais diversas sensações.

É o meu amigo artista sabe? É aquela pessoa que você olha e sabe que entende a diferença entre saber o caminho e trilhar o caminho. E eu sei que ele vai muito longe, que ele merece ir, que ele é uma boa promessa ai pro mundo fashion – que é a vontade dele hoje, mas eu acho que ele é mais. Eu acho que um dia alguém vai entrar na minha sala de casa e dizer “meu deus! Que foto incrível!! De quem é?” e eu vou dizer toda orgulhosa “Ah! É um Matheus Aires, comprei quando ele fez aquela grande exposição em Londres, você não adora a iluminação das fotos dele? ”como quem diz “Ah é um Cartier-Bresson”, e a pessoa vai me guardar certa inveja e querer ser eu, ou que eu morra e deixe a foto pra ela.

Minha maior raiva, é que eu não tenho mais o sol se pondo no mar que ele desenhou pra mim na segunda série, se perdeu na reforma aqui de casa tem um ano. Mas eu sei que ele vai tirar uma foto linda de um sol se pondo e vai me dedicar. Porque essa é a pessoa que ele é. E ele está aqui pra mim – em qualquer lugar que ele esteja, já que ele é do mundo – como eu estou por ele. Um complementando o outro.