Oscar 2011

Publicado em Cinema

Meses atrás eu pensei em ver todos os filmes do Oscar e fazer uma série de posts sobre os filmes e os critérios de premiação. O negócio é que eu só vi dois filmes até agora, Cisne Negro e Toy Story 3, mas o especial do Oscar, o blogueiro Augusto fez e bem melhor do que eu tinha imaginado.

Aliás, e eu só dei uma lida nos filmes do Oscar, mas já adorei o blog num nível celular.
Veja aqui as histórias do Gato Smucky.

E vamos dar uma corrida com os filmes pra não ficar totalmente por fora e comentando só quem ta bonito e quem ta feio.

Dos novos amigos, Ana Luiza

Publicado em Idiossincrasias



Quando eu era criança, eu passava muito tempo com a minha tia. E a minha tia é uma pessoa que se tem uma vocação na vida, é pra ser tia. Fui sempre muito mimada, e eu lembro que sempre achei que a irmã menor da minha mãe, que é também a minha tia preferida agora e sempre, era outra mãe que eu tinha. Tinha sempre um agrado pra a única sobrinha e era só quem tinha paciência comigo (Chaves feelings). Nunca vi tia alterar a voz ou ser indelicada ou grosseira, jamais na história desse país. Aí tia casou – com um indivíduo que eu MORRIA DE CIÚMES porque tava levando a minha tia embora pra morar lááááááá longe e chamava de esqueleto caveira ou alguma variável disso – e teve a própria filha.
Antes disso, eu costumava passar as tardes exercendo o desapego da autoestima na casa da minha prima que todo mundo – meu pai – dizia pra eu ser como ela, mas isso é outro post, porque era a única criança que tinha, ainda que essa criança tivesse 16 anos. Mas aí, tia me ajudou nessa também e nem sabe, e teve uma bebezinha inacreditavelmente chorona, cheia de insônias, mas muito bonitinha e fofa e que dava vontade de apertar e passar o dia brincando de bonecas com a boneca de verdade, o que pra mim era ótimo, já que nessa época eu ainda não tinha o desprendimento social necessário pra dizer em voz alta que eu tinha medo de bonecas.
E aí como filha de Ana Cláudia, sobrinha de DaliAna e prima de Anna Ingrid é Ana também, mas como era um neném fofinho e delicado, ela é Ana Luíza. E já que quem “sai aos seus não degenera”, Nalu é uma criaturinha maravilhosa que do mundo todinho, só podia ser filha de tia mesmo. Só que, como o mundo é engraçado, ela é a minha cara. Só que ela é mais bonita. E eu vivia la e a vi crescer um pouquinho e estava lá quando ela se vestiu de Chiquinha BONZAGA, porque nenhum cristão conseguiu fazê-la dizer Gonzaga; e matei minha primeira aula da vida pra ir vê-la passar essa vergonha na escolinha. E ela me viu e ficou muito feliz de me ver e se agarrou comigo e disse que não ia mais fazer a apresentação.

Como Chiquinha Bonzaga

E eu estava la pra ver quando ela quis ser atriz. E então eu fui dragada pra a minha vida, e teve a faculdade, e tem a procura por empregos, tem a vida né? E eu não fui mais a amiga que eu queria ser pra ela, nem estava lá pra ver as coisas dela e nem era mais pra mim que ela corria, tinha as novas amigas. E nem eram mais aquelas meninas que chegavam no portão e gritavam ‘NALUÍÍÍÍÍZA’ numa voz monótona e irritante.
E um dia eu a vi cochi..digo, fofoc… digo, falando muito baixo no ouvido da outra prima nossa, a linda da Bia, que herdou o meu gênio, e fiquei vendo que ela tava crescendo tão rápido, e eu queria tanto ser pra ela o que a mãe dela é pra mim que meio que deprimi porque eu tava sendo só uma parente, não mais a amiga que eu era. Acho que eu sempre entendi a casa dos parentes como aquele lugar onde você, por mais velho que seja, nunca cresce. E vai ver eu achei que ela me via como uma criança, como o resto da moçada mais velha me vê – talvez pelo fato de eu tá sempre enxergando nela uma criança que eu escolhia a roupa pra vestir e penteava os cabelos – quando eu tava virando só aquela prima que nunca aparece. E percebi que eu também tenho esses parentes que é melhor não ver. Mas eu não queria ser isso pra ela, então eu disse sim quando tia me chamou pra ir pro cinema com ela – é, como a babá- e fui ver Harry Potter com ela, e depois vi as crônicas de nárnia, e li os livros dela, que são Crepúsculo, e ela adora o Edward e acha ele a oitava maravilha do mundo e não sabe o que o Bom Jovi canta.
Em algum lugar no meio dela virar a minha quase menor prima – tum tum tsh – eu vi que eu sou uma droga de prima de nunca ter visto sessão da tarde com ela. É culpa minha ela não ter visto Dirty Dancing e os Gremlins, mas já estamos cuidando disso. E eu fiquei vendo embasbacada como ela tá linda e descobri uma nova diversidade de hábitos e características dela que também são minhas. Ela também adora ler, fotografia, música, cinema e eu estou adorando enormemente conhecê-la. Eu achei que se eu ficasse falando e mostrando as coisas que ela não sabe, ia conseguir fazer com que ela visse toda essa coisa da cultura pop que ela cresceu dentro, mas não sabe os porquês.
Então nós somos duas An(n)as que vão juntas ao cinema ver filmes dublados – uma infelicidade até agora – e que ficam fazendo hora na livraria por terem perdido a sessão mais cedo, com medo de derramar o refrigerante por conta da falta de tampa do copo e dormentes pelo chocolate. Essas e outras memórias que estamos criando juntas. Todos os dias. Como ela disse. Ainda que ela não tenha o meu número no celular dela e me responda perguntando quem é quando eu mando um torpedo de feliz aniversário.
Acabou que eu aprendo tanto com ela quanto ela comigo, talvez mais – Edward é um vampiro sem dignidade e Jacob é um lobisomem delicinha, sem acordo -. E eu recebi um depoimento dela tão lindo que eu chorei cântaros inteiros e me deu uma vontade danada de correr pra lá pra perto da menina, deve ser também pelo peso da culpa que eu tenho de não ter estado lá no dia do aniversário de 15 anos da minha minimim. E lendo o depoimento, percebi que ela tem outra coisa minha: o mesmo estilo de texto – isso e a mania de foto ‘coscabelotampandooszóio”. Tem como eu não amar? E eu morro de saudade dela, e tenho que dizer a tia que quando ela não quiser mais, Ana Luíza minimim é minha, ela se vire com Gabriel lá, mas Ana Luíza é minha, coisa de Ana, sabe?

Dos novos amigos, Amélia

Publicado em Idiossincrasias


Quando eu me pego sonhando sobre a minha vida ideal, sempre envolve livros. Acontece de envolver uma editora também. E pra quem não sabe, eu tenho uma queda por ficção. É uma certa paixão por histórias bem contadas e por contar histórias, então eu não acho que eu fosse ser uma boa editora de não ficção ainda que a fantasia seja minha.

Então, quando eu penso na minha editora, eu só consigo pensar em uma única pessoa no mundo com que eu dividiria a fantasia. Amélia. Amélia é minha amora que eu não sei o que eu fazia sem. Também é largamente conhecida como amiga imaginária de todos nós, já que uma das boas palavras definir Amélia é ‘indisponível’. Explico, ela nunca está e nunca pode.

– Amélia, vamos pro cinema?

– NUNCA!!! Não posso ter agitação hoje!

-Amélia, hoje é o aniversário de fulana, vai ter bolo lá na praça as 7…

– Posso não, eu tenho que arrumar minha estante.

E sim, é sério, ela vai arrumar a estante. E depois ela coloca milhares de fotos da estante arrumada na internet e ainda lhe puxa pelo braço pra te mostrar a estante arrumada quando você vai na casa dela. E como ser amigo significa que você precisa aceitar as esquisitices de quem você gosta, eu entendo que a estante dela, e a organização e aquela pontualidade irritante são super importantes pra ela e já não quero mais espanca-la ate a morte porque ela me deu uma desculpa idiota dessas. Aproveito a oportunidade para dizer que para recusar convites basta me dizer que você não tá querendo. Eu sou bem grandinha, eu aguento. Não me dê uma desculpa amélia não que isso é uma coisa que só Amélia pode fazer. Qualquer outra pessoa pode causar incidentes violentos. E ser amigo também é perdoar, então eu relevo ela já ter gostado de uma música do Bieber.

Amélia, vulgo professorinha gostosa, naja bitch, é uma professora universitária concursada e matou a gente de orgulho sendo a primeira da turma a conseguir definir a vida enquanto todo o resto segue mambembe por aí nesse mundão de Deus. E a gente vive tendo altas discussões literárias porque é legal ver a cara dela de ultraje quando eu digo que os filósofos que ela adora realmente não servem pra nada. E eu faço questão de dizer ‘não serve pra nada’ em vez ‘não possuem muitas aplicações práticas’ só pra ver a veia da testa dela se inflar tanto que vira quase outra pessoa.

E ela se empolga e diz que se o comportamento já existia corrobora a teoria e eu digo que o comportamento já existia antes da teoria, e continuou depois da teoria sem qualquer influencia dela, é só mais uma prova de que a teoria não serviu pra nada, porque não causou alterações nos comportamentos existentes. E termino dizendo que era melhor ter construído uma ponte ou um novo pátio de estacionamento. E vejo que ela está perguntando mentalmente a Deus como é que ele odeia tanto ela.

Mas Amélia, verborrágica, prática, a pessoa mais pé no chão que eu conheço. E fica linda com aquele sorriso de graça, e corada depois da segunda taça de vinho e eu queria ser tão dedicada e responsável quanto ela, mas como eu não sou, eu fico bem feliz de tê-la perto pra brigar comigo por ter ido me buscar e eu, claro, não estou pronta. É a minha consciência em outro corpo, meus freios e minhas asas, a depender da situação. Mesmo que ela indique Kundera como leitura para uma menina de 14 anos. E eu vejo Amélia tão linda do jeito que ela é colocando um frango assado por ela para o marido e os filhos – que ficarão tão graciosos quanto ela de óculos de plástico, eu to tentando ainda me acostumar aos meus – e depois pegando e levando a escola. Amélia é muito mãezona, da gente, do irmão, dos próprios pais, e de nós. E tá no meu coração pra sempre e sempre. E eu espero sinceramente que aquele vira tempo que tem na estante dela do quarto impecavelmente arrumado finalmente funcione e ela arrume mais tempo com a gente. Aquela linda.