Meus super poderes

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Daê que eu sempre fui ridiculamente ruim em todo e qualquer tipo de jogo que eu já tentei jogar a vida inteira. Esse é o meu grande poder X-Men. Bem, não é o único, já que eu tenho a paranóia e a obsessão e a capacidade de conseguir ser absolutamente alheia a coisas que afetariam uma pessoa normal e a de ficar profundamente afetada pela música que toca.
Mas esse negócio de ser programada pra perder todos os jogos chega a ser um tanto frustrante a maior parte do tempo. Eu tenho até certos episódios memoráveis, como a vez que meu irmão caçula me mandou pra a puta que pariu por ser tão ruim que acabou com a graça dele ganhar de mim em Top Gear e quando eu ser tão ruim tornou a vitória irrelevante, já que ele não conseguia novos pontos de habilidade quando me vencia, e a vez que o meu olho sangrou enquanto eu jogava um estúpido jogo em flash com bolinhas coloridas. É. Eu sou panaca a ponto de não piscar enquanto eu jogo.
Eu também não sou uma pessoa que tenha vindo com noção de dimensão de espaço. Então eu sou ridiculamente desastrada. Do tipo muito. E parte de mim se move pelo esperança de um amanhã novo em que ser desestrada e um desastre em jogos de qualquer natureza seja charmoso e o Bruce Willis, o John Cusack, o Neil Gaiman, a Mônica Bellucci e o Jamie Oliver vão fazer uma espécie de sorteio pra ver quem leva a princesa aqui. Isso é porque quando ser desastrada e jogadora ruim for charmoso, não vai ter pra ninguém e eu vou ser a pessoa mais disputada do mundo.
Acontecia de eu ganhar uma partida ou outra de um jogo de luta, mas é só por eu ser desastrada, não por qualquer habilidade pra jogo. Eu era tão boa em apertar as teclas aleatoriamente que acabava criando algum golpe mortal e levando. Não sei como fazer pra acertar nenhum golpe. Mas eu já venci algumas partidas. E destruí alguns controles de tabela.
Daí eu cresci e continuo sem ganhar par ou impar, mas percebo que alguém criou um jogo pra gente retardada que nem eu. Um Tetris do Céu que o Noronha postou – gosto de pensar que só pra destruir minha produtividade – onde é impossível perder se você for um ser humano médio e não tiver o meu talento especial. Pois é, eu consegui perder num jogo onde as peças que caem tem a exata forma do jogo que você já tem.
Parabéns pra mim.

Vi o jogo no Fim da Várzea.

Dos novos amigos, Renato Benites

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O Renato é uma das boas coisas que o twitter trouxe. É. Não é só pra acabar com a sua produtividade. Acontece essas coisas boas também. E esse post é a segunda parte do presente dele – a primeira foi um conto, mas é dele, e eu não sei se ele deixa eu publicar aqui, queremos manter especial, saca?- mas enfim.

Uma coisa que eu gosto nele, bem, existem muitas coisas que eu gosto nele, mas essa é uma das melhores. Ele é aquele cara da camiseta preta, das costas largas, dos óculos escuros que por trás dos óculos escuros tem uma sensibilidade bem gostosa de descobrir. Seja com as chuvas absurdas das tempestades de verão, seja pela violência, seja pelos meus problemas babacas quase infantis, e hoje é pelo absurdo daquela chacina no Rio. Eu gosto particularmente da capacidade de ficar puto que ele tem e de como ele faz isso. Aquela coisa do ‘não xinga que eu gamo’, pois é? A pessoa que escreve um palavrão com a melhor das entonações possíveis e pronto, facinho de eu entrar no emputecimento dele. E tô sempre querendo dar um abraço nele. E ele tá sempre me mandando relaxar.

E esse jeito dele, assim, Renato de ser, faz com que eu me sensibilize também – vá lá que não é a coisa mais difícil do mundo me fazer chorar feito uma garotinha – mas ele me faz querer dar um abraço nele, comprar sorvete, levar ele pra passear, dividir uma cerveja – e eu não gosto de cerveja – e isso é uma novidade. E é estranho. Uma coisa que vocês precisam saber sobre ele é que ele é uma pessoa tão legal, que sabe que eu tenho um dispositivo cerebral estranho que me faz perder TODOS os jogos e criei um jogo idiota onde só eu venço. E ele faz questão de ser ruim nisso só pra eu continuar tendo algumas vitórias. Ou me acha muito boba pra jogar isso.

Ele tá sempre me lembrando que eu sou CHATA por tá sempre descobrindo as coisas que as pessoas fazem pra mim e estragando minha festa de aniversário. E eu me divirto com as nossas discussões filosóficas e existencialistas sobre a obviedade dos contos de fadas. E eu ganho, mas ele inverte as posições e vira tudo pro lado dele. E ele acha que eu sou muito mais maluca do que o normal. E boba. E neurótica. Gosto de pensar que ele me adora, sabe? E ele sabe que eu to aqui, então a gente só tem madrugadas sem dormir falando dos nossos mundos nerds ou não. E todo dia a pauta é interessante.

E nós temos longas conversas onde ele me coloca a vontade pra ser chata, ridícula, boba, neurótica e ainda diz que eu to gatinha na foto. (Pensando o que? Chata, boba, ridícula, louca e neurótica… PELOMENOS eu sou bonita né?) E ele pergunta se eu quero conversar sobre alguma coisa que tá me afligindo e me deixando mais chata do que o normal e sempre deixa tudo mais fácil. E a gente combinou de que ele compraria o próprio presente de aniversário e eu o meu, mas ele é uma pessoa que eu gosto tanto, que eu tinha que tentar fazer alguma coisa que fosse só dele. Então ele ganhou o conto de aniversário, mais a mim. E eu ainda queria ter feito um bolo decorado com um monte de super heróis da DC porque eu me derreto nesse negócio dele colecionar quadrinhos do mesmo jeito que ele desenha o próprio quadrinho. Que eu gosto muito por sinal. E eu nem vejo o tempo passando quando a gente tá discutindo a psique e o conceito dos heróis obscuros dele e eu to reclamando de novo que o Wolverine tá aí solteiro e querendo me mudar pro Canadá por isso. Ele respeita a minha bobagem. E eu gosto dele ser adulto. E o meu principal amigo adulto de verdade. Desses que faz você achar que só ter vinte e poucos anos é legal. E que ele é uma espécie nova de gente que apareceu no mundo e que devia ter muito mais, mas não muitos, pra continuar especial.

E então ele mora longe, e lá onde ele mora negócio anda meio feio. E eu me preocupo se ele tá bem ou não. Não é todo mundo que eu acho que me ajude a escrever melhor e eu sou egoísta. Quero meus amigos perto, junto. Ao meu alcance. Porque eles cuidam de mim ainda que não saibam disso e eu gosto particularmente de cuidar deles.

PS. E o post tá sem foto porque ele não colaborou( Teo que fez esse primoroso retrato falado, valeu Teo). Mas eu acho ele lindo. E eu tenho cá com os meus botões que ele não me mandou a foto porque na verdade na verdade, ele gosta que eu ache ele lindo e musculoso e com aquela tatuagem like Dragão Vermelho nas costas, mesmo eu sabendo que ninguém tem uma tatuagem daquela ou, tendo, fica tão bem com ela quanto o Dragão Vermelho. Mal sabe ele que ele já me ganhou numa das primeiras vezes que a gente conversou. E tudo isso é porque quando a pessoa aponta o dedo pra outra chamando de chata, há muitas chances de chata ser ela. E o Renato que eu adoro é chato pelas mesmas razões que eu. Eu gosto dele o bastante pra escrever conto e texto no blog e ele fica sabotando o meio de campo sem querer me mandar uma foto decente. Quem é chato agora heim, seu lindo?