Entre mortos e feridos…

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… e vizinhas escutando Fagner de madrugada, salvaram – se todos e eu aprendi orações subordinadas e o que é uma cpu. Daqui a pouco o ano acaba. Eu tenho muita coisa pra dizer de 2011, mas é melhor eu me calar. Qualquer coisa que eu venha a dizer vai soar insuficiente, incompleto, imperfeito. Eu posso simplificar e dizer que foi o melhor ano da minha vida. Não seria justo, mas eu poderia. Desse mesmo modo, eu posso dizer que foi o pior ano da minha vida. E também lhe negaria a justiça. Entendeu o porquê de ser melhor calar? Pois é. 
2011 é, de todo jeito, um ano bastante especial. Aconteceu tanta coisa ruim esse ano, que Dezembro apontar no horizonte próximo é um gás novo pra continuar no caminho. Ao mesmo tempo, todas as coisas ruins que aconteceram me mostraram coisas que eu precisava saber sobre mim e sobre aqueles que me cercam. Mostraram a medida exata do quanto ainda falta. Mostraram que eu sou muito mais forte do que eu pensara ser. Mostraram que eu posso, deram a ciência do que eu quero. Foi pancada, mas deu certo. 
Bem, foi pancada, mas foi pancada pra mim, baseada no que já tinha me acontecido até hoje. Tenho certeza que não foi nenhuma catástrofe se o parâmetro for a economia mundial ou estatística de violência urbana em grandes capitais brasileira. A miséria foi só comigo, mas mesmo nos piores dias, quando eu achei que não aguentaria mais, eu vi que aguentava e que a causa era boa. E uma das mais legais consequências disso, foi reaprender a ver o todo. 
Foi o ano de aprender a organizar, a seguir planos, a ver a beleza de coisas que nunca tinha percebido. Foi o ano em que eu voltei a mim. Foi o ano em que eu fiz mais, muito mais do que eu achei poder. Foi o ano de desconforto, de insônia. De sobreviver. De aprender a viver. De ter medo de aviões e de fechar os olhos e agradecer por não ter comprado a passagem naquele que explodiu. Sorvete de limão, pizza de peixe e aquele restaurante novo. Não estar sozinha nem quando as companhias estão espalhadas pelo mundo. De risadas descontroladas, quedas absurdas, choros tranquilos, humores ótimos e ruins, alguma apatia, caramelo de frutas. De aprender a refazer. De ter foco. De não aguentar mais e ainda assim se alegrar por saber que o bem que se faz pra outra pessoa é bom pagamento, mesmo que te desloque da vida que você conhece para um universo em que você não dorme e fica supersensível a sons bem baixos, que você só escuta por não dormir nunca. E nunca na história desse país a insônia de Anna Ingrid teve tão deliciosas companhias (c/c Renato Benites, Noronha, Jan Barra de Cereal, Pedro, seus lindos). E vamos pra frente que já deu desse ano Juscelino Kubitschek onde eu cresci cinquenta anos em cinco meses.
Hoje é o vigésimo terceiro dia do mês de novembro. Nesta data, ano passado, eu estava triste porque o ano estava acabando e isso sempre me trouxe alguma melancolia. Esse ano eu estou ansiosa. O pior/melhor ano da minha vida está terminando e nem é que eu esteja esperando o fim do mundo número 15487878545469³º (somos todos sobreviventes de tantos finais do mundo), é que eu finalmente aprendi umas coisas que vejo muita gente já nascer sabendo. E aprender é a coisa mais legal do mundo. Mais legal que queijo quente com mel de engenho. Mais legal que aquelas conversas de botas batidas. Mais legal que achar finalmente aquela música que você procura faz um tempão. 
Então, para marcar esse meu momento particular, eu deixei pra lá a longa cabeleira ondulada que me acompanhou o ano todo. Ela deu lugar a cachos em uma desordem calculada. A grande diferença, é que dessa vez, a mudança veio de dentro pra fora. E como quando você entende a vida, o ideal é voltar às raízes, estou aqui batendo cabelo em uma playlist de músicas dos anos 90 que é só alegria como todo o resto tem sido apesar das minhas reclamações. Reclamações que não pretendo parar porque é praticamente estilo de vida, e minhas piadas são melhores quando eu reclamo.
Para mim, hoje, a felicidade é conversar com a minha família maluca, café fresco (aprendi a fazer – inserir imagem do meme do Freddie Mercury com a mão pra cima); cineminha, yogoberry e pizza com gente que eu amo muito, talvez uma boa caminhada até cansar e um banho gelado; um livro, uma rede com vista para a estante cheia de outros deles, luz natural e um som ambiente tocando Al Green, Marvin Gaye ou qualquer outra coisa da Motown. Talvez Neil Diamond. Sinatra nos melhores dias. 
Tem sido legal esse retorno. Tem sido legal ver que quando eu sou meu primeiro impulso, tudo dá mais certo e eu sou mais feliz. Tem sido uma delícia aumentar o horizonte, perder a dúvida. Tem sido legal não sabotar meus caminhos certos. Tem sido ótimo saber que eu estou em paz – amém- e que é por aqui mesmo. O que me falta hoje é só o que está mais a frente no meu caminho. As coisas seguem dando bastante certo. Meus amigos são os melhores, os novos são ótimos também. E eu já tenho a maturidade de entender que as coisas ruins que aconteceram foram sim bem ruins, mas eu consegui construir muita coisa boa delas. 
Tia Noga, espero que esteja orgulhosa de como estamos nos saindo aí onde você estiver. Ficaram boas histórias, vamos sempre lembrar da senhora sorrindo, dizendo que nasceu pra brilhar e de que queria ver o fim. E como diz aquela música do Semisonic, esse fim deu início de alguns novos começos que todos estávamos mesmo precisando. 
No mais, desejo um ano novo bem novo pra todo mundo. 
Tim tim.

16 coisas que só prestam em Recife

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1

1.    Bolo de noiva da Padaria Boa Viagem.
2.    Tortinha de maçã do McDonald’s dentro do carro indo pra casa depois de passar o dia no Centro Histórico.
3.    Sorvete de limão e maçã verde na Cuca Fresca.
4.    Bolo de noiva da Padaria Boa Viagem (aquela da coca cola gigante em cima, que nem tem mais, mas ainda é legal)
5.    Show de Lenine 0800 no Marco Zero no Carnaval
6.    Carnaval
7.    Pizza do Via Ápia
8.    Semifredo do Via Ápia
9.    Via Ápia
10.    Tomar água de coco no calçadão da praia vendo as madames passearem com os cachorros.
11.    Laçaburguer
12.    Temaki daquela rua estreitinha que eu nunca lembro o nome fazendo top5 de assuntos diversos.
13.    Rodar o dia inteiro e ir comer como se não houvesse amanhã no China in Box
14.    Combinar dia rodando, dinheiro vadio comprando porcaria no Sam’s Club, chuva absurda sem jeito de que vai parar, filme no sofá.
15.    Rodar, rodar, rodar e acabar indo comer no Galeto’s
16.    A visão da cidade do Marco Zero