Balanço de final de ano (em maio)


Eu sou o Grinch dos aniversários. Bem, não de todos, mas do meu. Só do meu. É como se me desse uma TPM de um mês, dependendo do quanto eu precise refletir. E eu sempre preciso muito. Explico: sabe aquela festona que acontece em Dezembro, uma semana depois do natal, onde as pessoas se vestem de branco, pulam ondas, enchem-se de esperança e é a maior responsável por nascer tanta gente em primeiro de setembro? Pois é. Não dou a mínima pra a virada do ano.
O meu ano novo acontece em maio. No meio do mês, para garantir uma conta tendenciosa ao erro. Meu ano novo começa dia 16 de maio. O dia do meu aniversário. O dia do meu nome é sempre mais importante do que a coisa toda dos fogos em Copacabana. Então, a cada 16/05 eu além de ficar mais velha, fico com aquelas paranoias maneiras de ano novo. Porque é meu ano novo. 
Percebi também que eu sempre tenho dias do meu nome repletos de algum sentimento. Ano retrasado eu estava na fase party hard e foi toda uma comemoração no bar com a moçada. Ano passado eu pensei em coisas que nunca havia feito. Descobri que a felicidade está entre o sal e o limão, pintei o cabelo, comi caranguejo e eu tinha muito o que falar daquele ano aqui, mas não falei, desculpem. Eu queria guardar só pra mim. 
Esse ano foi diferente. Acredito que o ciclo da sensação de me sentir tão inerte tenha finalmente acabado. E eu posso hoje dizer que me conheço bastante melhor e o suficiente pra conseguir dar aquele primeiro passo que eu tendo a protelar até que a situação não se sustenta. Além disso, eu encerrei algumas miudezas que atravancavam o meu caminho e entendi que ser honesta vem com certo custo. Sou a pessoa mais chata que os meus amigos conhecem.,
Júlia disse que não entende como eu faço novos amigos. Pedro disse que eu sou chata. Eu sou. Não nego. E não faço mais esforço em contrário. Eu fiz vinte e sete anos e me dei liberdade, que já era hora. Eu sou Anna, e eu sou chata. Meus comentários vão soar pior do que são na verdade algumas vezes. Eu posso parecer belicosa, mas eu provavelmente estarei apenas tentando entender alguma coisa, não leve a mal. 
A idade também trouxe certa concentração. Relaxei. Fiz amigos novos, a despeito do que pensem meus amigos velhos. Bandeirou meia noite ontem e eu fui atingida por uma sensação tão brutal que ainda não dormi. E aquele outro sentimento, aquele que nunca falha, de que nada mais será como costumava ser. 
A idade me trouxe um saudosismo oitentista, como se eu sentisse falta de coisas que era pequena demais pra lembrar e baixei boa parte da Sessão da Tarde dos bons tempos, ouvi Take on Me e percebi que o A-Ha só tem uma música que preste. Dancei sozinha. Dei risada, tenho passado todo o tempo possível com a minha família e dei mais risadas ainda com os meus irmãos, que são os mais novos amigos que fiz. Disse os desaforos que tinha que dizer. Viciei num joguinho. 
Tenho sido feliz, apesar de achar que não de vez em quando. Mas tá tudo melhor desde o início desse ano novo meu.

Vinte e sete anos de sonho, sangue, América do Sul e chatice. Cada vez melhor.

2 ideias sobre “Balanço de final de ano (em maio)

  1. MOLHÉR.
    Tu não é chata, tu é CHATA. Vc é o Satanás. Mas eu acho isso o que faz de você essa pessoa q vc é. A coisa mais bonita que eu achei num amigo foi isso teu de ver dentro em vez de se ocupar com o que a pessoa parece ser. Nunca vou te pagar o bem que vc me fez, o qt me ajudou. E ainda foi sem nunca te ver de verdade.
    Tenho fé em você.
    A tua chatice é válida. Te faz melhor, Anna. e eu que te conheço desde os meus dias pré ordem de restrição posso dizer que não conheci outra pessoa tão livre de preconceito e tão amorosa e zelosa. A sorte maior q eu tenho na vida é vc. O trem é que vc n é a pessoa q abre o coração pra qualquer moleque. E vc tá certa, tá ligada a quantidade de CAGADA q a gnt tem se envolvido?!
    Feliz aniversário minha farofa de socó, num deschateei n.

  2. Chata? Não… se fosse realmente, seus amigos não seriam “amigos” rsrsrsrs.
    Mais um texto bem escrito, coerente e com um conteúdo muito interessante. Ser autêntica é algo que cobra um preço, mas fico feliz que esteja disposta a pagá-lo.
    Beijos e até o próximo podcast, Anna.
    Franz.

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