Bolo de maracujá, Freakazoid e vamos ser feliz que Hoje é o aniversário do Guilherme Briggs

Publicado em Guilherme Briggs, Idiossincrasias, receitas

Quando eu era criança, eu não conseguia me ligar em coisas que meus colegas adoravam. Simplesmente não eram fascinantes o suficiente pra mim. Assim, fora os que eu gostava, que ninguém mais curtia na sala. Aí um dia apareceu um cara azul que corria engraçado e mudava de voz e tinha um amigo da polícia que dava sempre conselhos bastante sensatos e que sempre parava para passar um tempo com um amigo. Era tudo o que eu queria.
Freakazoid sempre foi o meu desenho animado preferido. E não teria sido tão bom se a dublagem não fosse tão bem feita. Aí, descobri que o Van Dame tinha a mesma voz do Freakazoid. E tinha o Eek, the cat, o Buzz, o Denzel Washington, Brendan Fraser e de repente eu tinha um jogo só meu de achar Guilherme Briggs nos meus programas. 

Todo mundo sabe que eu não acompanho muito a vida dos artistas de quem gosto. Não sei como é a cara dos músicos de mais de 90% das bandas que conheci depois de 2002. Mas Guilherme Briggs foi um dos poucos, se não for o único caso, que quando eu fiquei sabendo da vida, comecei a gostar também do Guilherme, além de só da voz e da feliz coincidência dele dublar uma porrada de gente que eu gosto em filmes que eu adoro.
Sempre atencioso, educado, gentil, Guilherme Briggs parece ser o tipo de pessoa que você conversa sorrindo de verdade, e atende todo mundo que dá com cuidado mesmo, como quem realmente gosta do contato. E eu fiquei muito muito muito feliz de ter recebido felicitações no meu aniversário dele (Valeu Jan). E hoje é o aniversário dele e eu fiz bolo. E eu queria desejar muita felicidade, muita saúde, paz, amor, tranquilidade e mais trabalhos pra ele, que o sucesso vem em consequência do trabalho bem feito que ele já faz. 
E pra comemorar o aniversário do meu dublador preferido, vamos comer bolo?
Todo mundo adora quando eu invento de fazer bolo do meu aniversário. Todo mundo = meus amigos. E eu sou mesmo muito feliz fazendo bolo, mas os de aniversário, recheados, elaborados e feios não são os meus preferidos. Gosto muito mais de um bolinho simples, gostoso, fofinho, com uma caneca de café e um livro.
Faz é tempo que eu quero testar uma receita nova, mas nenhum dos meus blogs culinários me deu uma boa ideia de bolo de maracujá – que eu tava matando por uma coisa doce e azeda – ai achei sensato apenas adaptar um bolo que eu sempre faço para o que eu tava querendo. Anotaê.
Bolo de Maracujá
2 xícaras de açúcar
1 xícara de manteiga (fria, se morar num lugar quente que nem eu)
4 ovos
3 xícaras de farinha de trigo com fermento (se for usar sem fermento, acrescente uma colherzinha de chá de fermento químico)
1 xícara de suco de maracujá concentrado
Em uma batedeira, bata o açúcar com a manteiga até virar um creme aerado e vá acrescentando os ovos um a um. Inteiros. Não, eu não estou louca. Bata bem os ovos, deixe uns cinco minutos batendo (você não quer um bolo de maracujá fedendo a ovo).
Tire da batedeira e vá incorporando a farinha de trigo delicadamente para não empelotar, alternando com o suco.
Leve a assar em forma untada e enfarinhada e forno pré-aquecido em 180° por aproximadamente 40 minutos – ou até você enfiar um macarrão cru e ele sair limpo.

Calda de maracujá
Para decorar o bolo, eu usei a polpa de dois maracujás, uma xícara de água e meia de açúcar.
Misturei e deixei no fogo baixo, sem mexer, até mais ou menos cinco minutos depois que ferveu. Despejei sobre o bolo já frio.

Ficou toda uma coisa fofinha, azedinha e doce, tudo ao mesmo tempo.

O esforço diário de não bater em ninguém que lhe diz bom dia

Publicado em Idiossincrasias

Eu ando acreditando fortemente que é preciso esforço. Pra que, Anna? Pra tudo. Veja bem, nada pra mim é fácil e as coisas que são realmente boas em mim são as que mais me atrapalham, tipo ver a coisa toda. Eu consigo fazer longas e precisas análises de uma personalidade com cerca de meia hora de conversa, mas não tenho foco pra grandes tarefas porque me apavoro com o tanto de coisa que há pra fazer. Dormir, por exemplo, é difícil pra caramba. E todo mundo consegue isso com alguma tranquilidade. Pra eu dormir, preciso exercitar o desprendimento. Eu tenho que me desprender das ambições, das preocupações, das faltas, das presenças, de coisas que eu gosto, das que eu não gosto e me concentrar na minha própria respiração. 
Também preciso ter caminhado ao menos trinta minutos, todos os dias, e parado de pensar em coisas que possam me estimular de qualquer jeito ao menos umas 3h antes da hora em que deveria apagar. Relaxar me requer um esforço imenso. Acho que é por isso que eu desisto de tanta coisa antes da metade: se relaxar é tão difícil, imagine coisas mais elaboradas, como manequim 38, não ter celulite, ter apenas good hair day.  Só de pensar já estou morta de cansada.
O problema é que chega uma hora na vida em que é importante pra você ter coisas que você sempre deu pouco valor, de tanto que era fora da sua realidade. Comigo é ser Super Feliz Antes das Dez da Manhã. Explico. Eu nunca dormi bem. Desde o útero. Se você não dorme bem, não existe meio de ser feliz. A isso você junte não dormir. E eu não durmo, mesmo. Então, desde que eu fui estudar de manhã e tive que lidar com gente FELIZ que eu me pergunto como as autoridades são relapsas a ponto de permitir que este tipo de gente se misture com gente normal, que odeia a vida e a condição humana antes do meio dia.
Não fazia sentido sorrir, conversar animadamente, cumprimentar pessoas, usar orações compostas, ter fé em Deus e trabalhar para o bem comum e um planeta sustentável antes do sol ficar quente de verdade e a sua cama parecer menos convidativa ao mesmo tempo. Então eu passei a vida toda apenas ou sorrindo ou usando frases curtas com esse tipo de pessoa. E as pessoas acham que você é uma pessoa objetiva, clara, educada e ótima e nem ao menos imagina que enquanto ela conversa com você tá aliviado de não ter disposição o bastante pra fazer o esforço de rebolar a cadeira nela pra ver se ela se cala. Mas aí você cresce e nota que esse pessoal estranho se desgasta menos e vê que isso não é justo.
Aí fica aqui amanhecendo o dia e ouvindo música alegrinha. Tomando chá antes de dormir. Estabelecendo horários noturnos. Se afastando de gente de quem você gosta e que entende que o rosnado que você dá, é amor e não ameaça. Só porque você entende que não pode mais continuar do jeito que ta. 
A vantagem é que é cada vez mais difícil me aborrecer. Eu to ligando cada vez menos. Pra tudo fora do meu universo ideal.
Anna está ouvindo Colin Hay – Beautiful World e pensando por onde começa enquanto comemora não ter rosnado ainda pra ninguém hoje.