A visita cruel do tempo

 

A visita cruel do tempo é um livro muito bom. Depois que eu terminei de ler, não consegui sair dele. E eu sinto que vou permanecer em suspenso dentro desse livro por muito tempo e que daqui uns anos, ele ainda vai pular das minhas lembranças e me mostrar alguma coisa nova que vai me fazer querer parar tudo pra respirar fundo de olhos fechados pensando que é só um livro e que está tudo bem. Mesmo que não esteja. Especialmente se não estiver.


É um livro sobre o tempo: o tempo e nossas expectativas. Sobre como as coisas mudam, sobre como – talvez – a gente cresce. Sobre – talvez – a gente mudar. Os personagens são todos alguém que você conhece e é possível que você se reconheça em mais de um deles. Você vai ser apresentado a uma cleptomaníaca muito cativante, ao patrão dela, a ex esposa dele, ao filho, aos vícios, aos passados, a várias coisas. Mas vai perceber, em todos eles, todas as possibilidades do que poderiam ter sido e que eles mesmos esperavam ter se tornado – ainda que ficcionais. E vai olhar embasbacado o caminho deles, que levou tudo a ser daquele jeito. Exatamente como acontece em todas as vidas.

Jennifer Egan constrói uma narrativa que vai e volta senhora do tempo que é senhor de todas as coisas. E é possível se perder, mas é pouco provável. É um desses livros de não se conseguir largar ou esquecer, mas que não se esquece fácil. Egan tem uma prosa ágil, contundente e inteligente onde nada falta e nada sobra, seus personagens são fluidos e suas histórias cotidianas, que talvez você já as tenha visto repetidas vezes, possuem um apelo profundo pela ação e valor do tempo, o grande personagem de Egan.
Um livro doloroso e delicioso, sobre esperar muito ou não esperar mais; sobre reinvenções, recomeços, novos caminhos, finais. Expectativas e o que se faz com elas. E o que é feito com a gente.

E a coisa, para mim, foi tão absurda que eu tô aqui tirando a poeira desse blog.

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