Livros lidos em 2017

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Quando 2017 começou, eu fiz uma combinação com Aíla de que eu ia ler melhor. Assinei a TAG e tudo – não consegui lidar com a inveja do livro de janeiro dela, tão lindo. – E a gente é(ra) muito bibliófila loucona mesmo. A coisa toda é que a gente preferia estar entre livros porque gente é um negócio exaustivo. Eu não consegui manter minha promessa (mas eu preciso prometer não prometer mais nada porque enfim) mas eu li várias coisas que nunca li antes ou que jamais leria. E isso era parte do desafio. Ela, claro, cumpriu todas as proposições. Eu pelo menos li um pouco melhor.

1. Outlander: a viajante do tempo. – Diana Gabaldon
Eu comecei em 2016 e larguei, recomecei e concluí numa rede em Recife e saí loucona doida pra aprender a tocar gaita de fole, pintar a cara de azul e gritar FREEDOM, escolher um tartan e achar um círculo de pedras para voltar no tempo e achar Jamie Fraser.


2. A libélula no âmbar – Diana Gabaldon
É o volume 2 de outlander, onde fica mais evidente que Jamie Fraser é a melhor pessoa do mundo real ou imaginário e as pedras em Mossoró não funcionam. Alguém sabe um app bom onde eu possa aprender gaélico escocês?

3. Outlander: o resgate no mar parte 1. Diana Gabaldon
Claire, como você é burra. E filha, como assim você esperou VINTE ANOS para saber se ele sobreviveu? Ódio. Fosse eu, ia ser a primeira providência. Vá lá que o século XX é um século melhor para ser mulher, mas gente, por favor ne? 20 anos?

4. Outlander: o resgate do mar. Parte 2. Diana Gabaldon
Frank, seu otário.
Olar, Roger.

5. Desonra – J. M. Coetzee
QUE LIVRO BOM DO CARAMBA. É aquelas coisas que você começa a folhear despretensiosamente e de repente o dia amanheceu e você está deitada na cama encarando o teto sem saber o que te atingiu. É como ver um acidente horrível acontecer de um modo tão sensacional que você não consegue desviar o olhar. Esse livro se inscreveu no meu dna. Descrevendo toscamente, é um tio da sukita que é demitido da universidade que trabalhava porque não consegue conter a crise de meia idade e se muda para a casa da filha sapatão no meio da África do Sul.
Eu te amo, Coetzee, mesmo que eu não saiba dizer seu nome.

6. A caderneta vermelha – Antoine Laurain
É um livro muito fofinho, de ambientação. Dá quase pra sentir o cheiro da comida que ele cozinha para a filha e eu tô louca de vontade de cozinhar o prato desde então.

7. O efeito Rosie – Graeme Simsion
MARAVILHOSO. Tão maravilhoso quanto o primeiro, mas mais engraçado. Quero ler até a lista de supermercado desse cara.

8. Mulher Maravilha. Terra 1. Grant Morrison, Yanick Paquette, Nathan Fairbairn, Todd Klein
Bem legal.

9. A Garota que você deixou pra trás – Jojo Moyes
Eu fui ver o que era isso que todo mundo gosta e eu não sabia. Achei inconsistente. O livro fica indo e vindo no tempo contando a história de um quadro. A parte que se passa na primeira guerra mundial é interessante, tem personagens legais, mas a parte moderna é um passar de páginas inútil que não diz absolutamente nada sobre pessoas com quem ninguém se importa.

10. Kindred spirits – Rainbow Rowell
É bem besta, não parece os outros textos que li da autora. Fiquei tão bleh que nem li carry on ainda.

11. A Câmara Sangrenta – Angela Carter
Muito legal, mas tem uns contos excelentes e uns que eu não me importei muito.

12. Os irmãos Sisters – Patrick Dewitt
Eu jamais leria esse livro se a Tag não trouxesse. Estou feliz de ter lido. Achei excelente e tô até agora louca pelo cavalo. Preciso ter um cavalo. Cavalo melhor pessoa – só que é um cavalo mesmo.

13. Até o dia em que o cão morreu – Daniel Galera
Jamais leria nada de alguém chamado Galera. E li umas entrevistas dele e achei que era um cara meio meh. Mas gostei tanto dos irmãos sisters que resolvi ler um ebook desse livro que estava no kindle e eu nunca tinha olhado. Que bom que olhei. Eu achei ótimo.

14. Aconteceu naquele verão – Stephanie Perkins e um monte de outros autores irrelevantes
Esse livro é muito, muito, muito ruim mesmo.

15. Um, dois e já – Inés Bortagaray
Quando eu era criança, acho que eu tinha uns 8 anos, minha família fez uma viagem para a praia aqui perto. Eu lembro que não chegava nunca. Lembro que meu irmão berrou no caminho. Lembro do cheiro do mar logo que eu cheguei, que eu senti antes de ver. Esse livro tem esse cheiro. Esse livro é um livro de lembrança de infância. De lembrança de família. Que livro lindo.

16. Verões Felizes – Zidrou, Jordi Lafebre
Eu estava no embalo de Um, dois e já e peguei esse quadrinho. POR FAVOR, LEIAM ESSE QUADRINHO.

17. Primeiro amor – Samuel Beckett
O inusitado olhar sobre o banal. Não se sai de um Beckett do jeito que se entrou.

18. Livro dos começos – Noemi Jaffe
Detestei.

19. Os Deixados para trás – Tom Perrotta
Esse livro me pegou bem pelo estômago. E todos os dias eu me lembro de alguma coisa dele. E ele meio que me deixou alerta para ser “deixada para trás”. Spoiler: é uma merda.

20. A Bela e a Adormecida – Neil Gaiman
Esses dias eu estava num café com Filipe e Paula e é um café onde a gente sempre vai. Só que eles colocaram umas caixas na mesa com temas para conversas e eu puxei um que era “diga três pessoas famosas de quem você gostaria de ser amigo” e eu sofri muito pra escolher três pessoas. Mas eu quero ser amiga de Neil Gaiman. E a gente ia passar muito tempo conversando e tomando chá e café e falando de como a gente tem sonho bizarro e como é maravilhoso ver Deuses Americanos na tv, ele ia ficar chateado comigo porque eu nunca li o livro só esperando a série – pra poder aproveitar as duas mídias – mas ia entender. E ele ia me apresentar pra Jenny Lawson e a gente ia ser feliz pra sempre. Todos doidos.

21. Um limite entre nós – August Wilson
Eu vi o filme com Denzel Washington e Viola Davis e achei que era uma sacanagem enorme do Oscar não criar as categorias Denzel Washington e Viola Davis porque eu sofri TANTO nesse filme que não tinha pra onde correr. Corri pra ler o livro e sofri de novo. É difícil adaptar teatro para o cinema, eu acho, mas esse foi um tiro muito, muito certeiro e foi o meu filme preferido do último Oscar.

22. Remissão de pena – Patrick Modiano
Meu primeiro Modiano, confesso que teve uma hora que as descrições me cansaram, mas é uma boa construção de ambiente. Senti o tempo todo que havia alguma coisa que eu não estava captando, mas eu li muito aflita com a piora de Aíla e preciso reler. Sinto que eu só absorvi metade do que estava lá pra mim, aconteceu com vocês isso?

23. Filomena Firmeza – Patrick Modiano
Que livro amorzinho. Eu adorei. É tão delicado e tão bonito. As ilustrações são tão lindas e o texto é tão delicioso. Um resgate de infância que eu não tive, mas Filomena Firmeza também sou eu.

24. Raul Taburim – Sempé
O ilustrador de Filomena Firmeza é Sempé. Corri pra ler mais coisas dele, e ele tem livros só dele e Raul Taburim é muito legal. É aquele livro para crianças que adulto adora.

25. Senhor Lambert – Sempé
Fofinho.

26. O homem lento – Coetzee
Coetzee é uma paulada. Um atropelamento. Ele é absolutamente sensacional. Eu li Desonra de um fôlego só. Não consegui largar. Normalmente, quando eu devoro rápido assim um livro, os detalhes e nuances começam a me escapar num tempo bem curto. Mas eu lembro de Desonra com muitos detalhes e ele ainda está em processamento na minha cabeça. O homem lento eu comecei a ler e março, quando terminei desonra, mas não conseguia avançar muito com faculdade, enem, vida. É uma leitura que eu não conseguia fazer com meio cérebro. O homem lento exige todos os órgãos vitais. Mesmo com um avançar lento, cada vez que eu pegava o livro, eu lembrava exatamente onde estava e o que havia acontecido e tudo o que eu pensava. É um desses autores que você não sabe se você está lendo ou se está numa experiência. Um dos melhores da vida.

Depois desse, eu comecei a ler um volume com todos os contos de Machado de Assis, que espero concluir esse ano; a Odisseia e umas duas ou três biografias. E uns livros de divulgação científica, que descobri serem deliciosos.

Todas as leituras desse ano, e todos os anos seguintes até o final dos meus dias, são dedicadas a Aíla Almeida Mendes. A gente sempre se encontrou nos livros e é onde eu espero reencontrar sempre com ela. Eu tinha um papel de carta que dizia “a vida é a arte do encontro”, então eu vou fazer da leitura o nosso reencontro, minha amiga. E vou ler os livros que você queria que eu lesse e os que você não conseguiu ler.