Nasceu o Cachorros de Bikini

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Nasceu por esses dias o Cachorros de Bikini, de Filipe Sena. O blog já nasceu bem mais sério e responsável que este meu surrado caderninho, então fico bem segura de recomendar que passe lá, leia e se divirta com os pensamentos aleatórios de Filipe sobre o mundo.

O blog é atualizado três vezes por semana (segunda, quarta e sexta) e eu sei que é puxado pra quem me lê, já que eu atualizo o blog 3 vezes por ano, se muito, mas vão lá acompanhar Cachorros de Bikini que vale muito o clique.

Resenha: Cinquenta tons de cinza

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Enquanto eu lia o primeiro volume, Cinquenta Tons de Cinza, eu me incomodei MUITO com o Grey. Nada contra o sadomasoquismo, cada um sabe de si e se funciona para você e a/o parceira (o) curte e pode responder por si mesmo, pode se jogar feliz no Quarto Vermelho da Dor e cair de boca em grampos genitais. Não é da minha conta. O problema do livro é essa coisa demente de confundir fetiche com abuso.

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Ele é o clichê do cara traumatizado e abusado que sofreu muito e se fez na vida mas não conseguiu superar, só que é tão clichê e batido que TEM que ter dado trabalho. Eu também estou falando do psicológico, porque os aspectos físicos do Sr. Grey são aqueles de sempre: ele é lindo, malhado, gostoso, tem olhos penetrantes de um cinza que muda de cor, é másculo e tem um pau enorme, obviamente. Deus nos livre de uma história vagamente sensual com um cara com um pau com menos de 24 cm. Deus nos livre de um cara que não dê choque quando encosta na mocinha também. Deus nos livre do cara ser pobre, por favor.

"Christian Grey se olhando no espelho"

“Christian Grey se olhando no espelho”

A mocinha também é mais do mesmo: olhos azuis, boca carnuda, não sabe que é linda e tem uma cara de inocente, é virgem (!!!!) e pobre. Claro que ela é pobre né gente. E aquela coisa de sempre, como a Bela do Crepúsculo, ela entra na relação abusiva chamando o abuso de cuidado e de trauma. E sim, dá vontade de estapear a mulher com toda a raiva que toda feminista sente quando lê que o cara dá choque quando toca nela.
Outra coisa bem comum desses livros todos é que, seguindo a tendência daqueles romances Nova Cultural da banca de revista, a mocinha é inocentíssima quase ou virgem e inexperiente enquanto o cara comeu o continente inteiro mas, obviamente, nunca se apaixonou por ninguém.

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Mas 50 tons de cinza vai muito além na estupidez. 50 tons de cinza é inominável. É um incômodo. É aquela sensação de que algo está errado. A doidinha  lá é virjona no final da faculdade porque nunca se interessou por ninguém – rá – e a própria personagem diz que a razão disso é que a mãe dela se casou várias vezes. Aparentemente existe um episódio na infância dos personagens que justificam toda a sorte de coisas na vida adulta deles. E na verdade, mesmo virjona, ela cai nas graças do cara-lindo-dominador-zilionário-misógino-do pau grande e ele quer transar com ela – mas só isso, ele não faz romance porque ele é traumatizado por um passado horrível e tenebroso cuja cura só se dá por fetiches sexuais, e de repente o pau dele é tão grande que tem um campo gravitacional do qual ela não pode se afastar porque ela acha que ele só gosta dela porque ele é traumatizado.

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A heroína virjona tem a estima de uma toxicômana que vende o corpo por uma pedra de crack e de saída, escolheu – não, “escolheu” não é o verbo certo, já que depois que ela viu todos os apetrechos do sadomasoquismo gourmetizado do Mr. Grey, ele decidiu que ia tirar a virgindade dela – perder a virgindade com um cara que antes de qualquer coisa, obrigou a moça a assinar um termo de confidencialidade. Não sei vocês, mas eu fiquei com vontade de levar a moça na delegacia da mulher mais próxima.

Daí o cara faz o imenso sacrifício de transar com ela sem usar coisas que possivelmente a impediriam de trabalhar, e logo depois ela é levada de volta a própria realidade com um contrato na mão que lhe diz o que ela deve comer, quando, que horas, quantas horas deve dormir e quantas vezes deve se exercitar. E quando ela deve estar inteiramente a disposição do cara que ela não pode tocar. A única obrigação dele é pagar a conta. Não que ela seja uma prostituta, mas ele que vai pagar tudo. Vocês estão acompanhando ne?

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E aí ela decide, lógico, que ela vai salvar esse homem da vida dele. E passa o livro inteiro sendo abusada psicologicamente, afastada dos amigos, sofrendo o diabo na mão dele – com vários orgasmos no processo – para no final – finalmente – se sentir ofendida e sair de lá e devolver todos os brinquedos caros que ele lhe deu. Porque, meus caros, não era estúpido o suficiente ela ser perseguida, humilhada, afastada, ter a liberdade cerceada e ser afastada do seu livre consentimento, ela tinha que passar por tudo isso sendo comprada com presentes óbvios. Um celular, um computador, um livro caro e um carro. E por mais que seja doloroso para os fãs da Apple, um iphone é só um telefone, um macbook é só um computador e um Audi é um carro.
Eu vi, certa vez, um anúncio de um iphone de segunda mão usado por R$500,00 que sequer ligava. O anúncio dizia que era ótimo para levar para a balada e dizer que descarregou. E vendeu. E é isso que é mais doloroso sobre 50 tons de cinza. É essa incômoda sensação de que aquilo ali é retardado, horrível, mas é possível. E isso é muito mais incômodo do que o ridículo dela ser virgem e assinar um contrato pra poder discutir sexo com o cara com quem ela quer ir para a cama e do que ela fazer um boquete maravilhoso logo de primeira, porque né? Deus nos livre de uma virgem que nunca se tocou na vida ser ruim de cama e deixar o dominador insatisfeito.

 

imagens: mean girls art history

Listão de livros lidos em 2014

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  • Ano passado eu estava toda feliz que era ano novo (!) e tive a estúpida ideia de me dar uma meta (!!) sobre livros que eu leria no decorrer do conturbado 2014. A ideia original era ler os livros que eu já tinha e me dedicar aos grandes nomes que lotam prateleiras da minha estante, mas que eu não lia já tinha um tempo graças ao gosto recém adquirido por livros bobinhos despretensiosos.
    Ia começar por uma edição de As Ilhas da Corrente de Hemingway, mas essa ideia morreu logo de saída porque decidi que ia finalmente concluir os 3 capítulos que faltam pra terminar O Senhor das Moscas. Também não rolou. Eu ganhei um livro lá da segunda temporada de Percy Jackson e acabou vencendo a ideia de que leria todos os meus livros “inteligentes” quando terminasse os bobinhos.
    E ia ler um livro por semana.
    (!!!)
    Eu sabia que conseguiria. Só não achei que fosse ser tão apertado e tão questionável. No meio do processo eu peguei uma gripe que se recusou a me largar e entre febre, nebulização e soro, fiquei bem dois ou quatro meses e como não consegui voltar com o mesmo ritmo, dia 21 de dezembro faltavam dez livros em dez dias e foi ótimo correr contra o tempo.
    Vamos lá mostrar o listão:
    1.    O mar de monstros – Rick Riordan
    Comecei a ler os livros de Percy Jackson porque ganhei O Herói Perdido de natal e todo mundo disse que era legal ler Percy Jackson antes, daí tava eu obcecada com mitologia grega em pleno janeiro com todo mundo na praia.
    Curti pra caramba.
    2.    A maldição do Titã – Rick Riordan
    3.    A batalha do labirinto – Rick Riordan
    4.    O último olimpiano – Rick Riordan
    Que Héstia tome conta dos nossos lares.
    5.    A canção de Aquiles – Madeline Miller
    Como eu falei, eu tava obcecada. O livro conta a história da Ilíada, só que contada por Pátroclo, o marido de Aquiles. Comprei pela capa, pelo contexto. Comecei achando chatíssimo porque eu sou um caminhoneiro e toda aquele trelelê poético tava me enchendo o saco muito mais do que curtindo. Só que eu adoro a história e teve uma hora em que o livro simplesmente me pegou e do meio pro fim eu já tinha me apaixonado por Aquiles e desapaixonado. E por Pátroclo, que eu amo até hoje, por Ulisses e até por Agamenon e por Quíron. Adorei mesmo.
    6.    Abandono – Meg Cabot
    Comprei porque tava na vibe da mitologia grega, ai comprei esse porque era baseado no mito de Perséfone. O livro é uma droga. Nem vou terminar a série. Mais fraco que caldo de bila.
    7.    Segredos de Menina – Maitena Burundarena
    Eu adoro Maitena desde Mulheres Alteradas e achei que o primeiro romance dela ia ser um ótimo modo de abrir meu apetite pra outra coisa que não fosse grego (nessa época também viciei em iogurte grego. Pois é.
    Mas a verdade é que estava de ressaca ainda da Canção de Aquiles e não consegui me ligar muito a ele por umas semanas, mas ainda bem que me liguei porque o livro é ótimo. Ela narra o cotidiano de uma adolescente na Argentina dos anos 60 e é muito bom pra ver o cenário político peronista.
    8.    Diário de um banana: Rodrick é o cara – Patrick Jeffrey
    Fiquei de castigo esperando maridon na livraria e só deus sabe o quanto eu adoro essa série.
    9.    Os últimos quartetos de Beethoven – Luis Fernando Veríssimo
    Eu sempre volto a Veríssimo porque os amores mais antigos têm sempre um jeito especial de te fazer bem. E eu adoro o Veríssimo desde que consegui mais capacidade de leitura do que Ivo Viu a Uva.
    10.    Diário de um banana: A gota d’água – Patrick Jeffrey
    Novo rolê na livraria.
    11.    Os pequenos perpétuos – Jill Thompson
    A primeira gn do ano. Eu li porque eu adoro Sandman e compro tudo o que se ligue a Neil Gaiman ainda que rapidamente. Os desenhos são fofos fofos, mesmo que de um jeito meio esquizofrênico.
    12.    Habibi – Craig Thompson
    Eu ADORO esse cara desde Retalhos, mas nada me preparou pra Habibi. É totalmente espetacular. Ele relaciona trechos da Biblia com o do Corão e eu tenho um monte de coisa pra dizer dele, mas não quero estragar a surpresa. Leiam. Sério.
    13.    Eleanor & Park – Rainbow Rowell
    Ganhei esse livrinho e comecei a ler pensando que ia ser legal pra recuperar o tempo da minha ressaca pós Canção de Aquiles. Jovem tola eu. Eleanor & Park tem a sensacional característica de ser mais e ao mesmo tempo ser o que quem lê entende que seja. Quem só quer uma bobagenzinha sobre um garoto e uma garota no ensino médio encontra, mas quem quer um draminha complexo com auto aceitação e problema sério de verdade, também encontra.
    Eu nunca pensei que ia gostar de ler alguma coisa que uma pessoa chamada ARCO ÍRIS escreve, mas olha, fiquei fã de verdade. Totalmente espetacular e vocês lendo distopia idiota.
    14.    O filho de Netuno – Rick Riordan
    Precisava saber a sequência ne?
    15.    A marca de Atena – Rick Riordan
    16.    A festa de Delirium – Jill Thompson
    A sequência dOs Pequenos Perpétuos.
    17.    Bruxos e Bruxas – James Patterson
    Fiquei muito surpresa de descobrir que James Patterson escreve livros pra jovens adultos, pensei que só escrevia coisa de detetive que lia na adolescência.
    18.    Do amor e de outros demônios – Gabriel Garcia Marquez
    O AMOR DA MINHA VIDA ESSE HOMEM, vivo dizendo isso. Aí ele morreu e eu fiquei triste arrasada desiludida da vida e comprei um monte de livro que eu não tinha dele e agora to lendo um por ano pra economizar, já que a fonte secou pra sempre.
    Mas do amor e de outros demônios é espetacular desde o princípio, com aquela apresentação que sozinha é muito melhor que vários livros inteiros bons que existem por aí.
    19.    A casa de Hades – Rick Riordan
    A essa altura eu já tava me cansando de Percy Jackson
    20.    O começo de Tudo – Robyn Schneider
    Encontrei na internet uma lista de livros pra quem curtiu “a culpa é das estrelas” e esse tava no meio, eu li e gostei. Não é nada muito espetacular não, mas é divertido.
    21.    A extraordinária viagem do faquir que ficou preso num armário Ikea – Romain Puértolas
    Comprei pelo título, afinal, vamos combinar que é o melhor título de todos os tempos. O livro é super divertido e eu ri muito com a falta de noção mas não de oportunidade do faquir que ficou preso num armário Ikea. Vale muito a pena.
    22.    Mary Poppins – P. L. Travers
    O amor. O amor.
    23.    Todo dia – David Levithan
    Esse livro aparecia na lista dos livros pra quem gostou de A culpa é das estrelas, e achei promissor porque o David Levithan escreveu um livro que deu origem a um filme que eu gosto muito: uma noite de amor e música, mas a verdade é que eu li Todo Dia e o livro é uma merda.
    24.    O Dom – James Patterson
    É a sequência de Bruxos e Bruxas. A série é fraquinha, só li porque terminava sempre tenso e eu precisava saber como acabava. É uma distopia boba, mas é melhor que umas que vi por aí.
    25.    Claros sinais de loucura – Karen Harrington
    Esse livro é uma ternurinha. A menina coleciona palavras, tem um diário secreto e morre de medo de ficar louca. É uma história muito comovente de uma pessoa que passa por um inferno a vida toda e ainda precisa se fingir de que tudo está normal e lidar com coisas adolescentes normais como dar o primeiro beijo.
    26.    O fogo – James Patterson
    A terceira parte da série dos bruxos. Parei por aqui porque achei que terminou num gancho legal e dei por encerrada a minha necessidade de saber o fim. O quarto volume se chama O Beijo, pra quem tiver interessado. Eu não estou.
    27.    Os Goonies – Steven Spielberg
    Saiu pela Darkside a versão “romance” do filme que acho que vi mais vezes na vida – e todas ótimas – e eu tinha que ler. O livro é tão bom quanto.
    28.    De repente acontece – Susane Colasanti
    Engraçadinho nhem nhem nhem blé. Mesma coisa de um monte desses livrinhos saindo agora. Sexy sem ser vulgar, mas muito bobinho.
    29.    O projeto Rosie – Graeme Simsion
    Eu ADOREI esse livro. É a história de um professor de matemática com os dois pés no autismo nunca diagnosticado que nunca teve uma namorada que cria um questionário pra encontrar a esposa ideal. O livro é escrito pela ótica do personagem e tem um humor involuntário muito bem colocado. Emprestei a minha mãe pra ler e ela disse que era o livro de Sheldon de Big Bang Theory e que não tinha paciência.  (acabei de descobrir que lançaram a sequência desse livro totalmente delicioso e já estou aguardando ansiosamente a edição em português)
    30.    A lista de Brett – Lori Nelson Spielman
    Achei esse livro muito confortável. Foi bom me deitar na rede e não ver o dia passar porque estava vendo as coisas acontecerem, ora obviamente, ora não, mas sempre muito tranquilo. Rolou até identificação pessoal minha com a personagem principal, o que é estranho, já que eu sempre amo/sou algum secundário charmoso ou não.
    31.    Fangirl – Rainbow Rowell
    EU TE AMO, ARCO IRIS ROWELL.
    32.    O menino do dedo verde – Maurice Druon
    Tava adorando, aí no final tinha um anjo e eu odiei.
    33.    Todos os meus amigos são super heróis – Andrew Kauffman
    Esse livro é muito simpático. Talvez seja o livro mais simpático de toda essa lista. Meu amigo Filipe Sena me emprestou e eu me esqueci completamente de devolver até ver o livro nessa lista. Todos os meus amigos são lindos.
    34.    Uma longa queda – Nick Hornby
    Não sei se vocês sabem, mas Nick Hornby construiu meu caráter. E esse livro é totalmente maravilhoso – mas o filme é uma droga, não vejam – e eu queria muito ter pensado em contar uma história de gente que se conhece no alto de um prédio na noite do ano novo tentando se matar. Mas, como sempre, felizmente Nick Hornby pensou primeiro. Ufa.
    35.    O céu de Lilly – Fábio Barreto
    Gosto de Fábio Barreto desde os tempos do Orkut. E ele sempre foi ótimo, seja falando de cinema, seja escrevendo conto de ficção científica.
    36.    A velha casa na colina – Fábio Barreto
    Ele também é ótimo escrevendo terror.
    37.    Anna e o beijo francês – Stephanie Perkins
    Super fofex. Tem essa menina que vai estudar em Paris e a vida dela muda. É muito fofex delicinha, não tem tanta profundidade mas é bom pra um sábado de tarde na rede.
    38.    Lola e o garoto da casa ao lado – Stephanie Perkins
    É fofex delicinha que nem Anna e o beijo francês, vou continuar lendo a autora porque tem hora que tudo o que você precisa é um livro fofex delicinha.
    39.    Dizem por aí – Ali Cronin
    É o segundo volume da série “garota <3 garoto” e meu deus que livro retardado. Eu precisei dar crédito no começo do livro por ser um livro retardado pra meninas mas que não tinha um virtuosismo sobre como a virgindade é uma coisa que se você tem, você é boa e se não tem é biscate. “o começo de tudo” também é assim. Só que a medida em que o livro avança fica uma coisa bastante clara: se você é mulher e tem uma vida sexual ativa mas não tem um parceiro fixo jamais encontrará o amor porque o cara de quem você gosta de verdade vai ficar inibido. Ou seja. ¬¬. É tipo um skins, só que bem ruim, cheio de slutshame. Não tive paciência.
    Uma merda em dose pra cavalar.
    40.    Anexos – Rainbow Rowell
    EU TE AMO MUITO ARCO ÍRIS ROWELL!!!!!!!!!!!!
    Aguardando ansiosamente todos os outros livros dela irem morar juntinhos na minha estante.
    41.    Tamanho 42 não é gorda – Meg Cabot
    Meg Cabot é muito inconsistente. Ela precisa de um filtro. Mais Heather Wells e menos seja lá o que for aquilo em “Abandono”. E olha, tamanho 46 também não é gorda.
    42.    Música de Câmara – James Joyce
    Eu ganhei esse livro de um amigo muito querido de presente de natal e foi o meu primeiro livro de poesia na vida. Olha, eu adorei. A poesia de Joyce desse livro normalmente se perde na tradução, mas nesse caso o tradutor conseguiu recriar completamente a musicalidade do original. Totalmente espetacular. Não consegui largar.
    43.    Tamanho 44 também não é gorda – Meg Cabot
    Não é mesmo.
    44.    Daqui estou vendo o amor – Carlos Drummond de Andrade
    Como era bom o menino Drummond, né?
    45.    Educação – o roteiro – Nick Hornby
    Totalmente ótimo. Vejam o filme também.
    46.    A menina do capuz vermelho e outras histórias de dar medo – Angela Carter
    Tive um ou outro pesadelo relacionado com esse livro.
    47.    O presente do meu grande amor – vários autores
    Eu comprei apenas porque tinha um conto – ótimo – de ARCO ÍRIS ROWELL e acabei gostando de muitos outros e odiando outros. O livro é tipo 70% bom e 30% entre desnecessário e idiota.
    48.    Batman: a piada mortal – Alan Moore
    O amor. O amor.
    49.    Quem poderia ser a uma hora dessas? – Lemony Snicket
    Divertidinho.
    50.    Astronauta- magnetar – Danilo Beyruth
    Eu to curtindo pra caramba essas histórias da turma da mônica escritas por outras pessoas.
    51.    Astronauta: singularidade – Danilo Beyruth
    É melhor que magnetar. Mas eu gosto muito do Astronauta.
    52.    Bravura Indômita – Charles Portis
    Eu ADOREI esse livro. Só isso que eu comentarei.
  • 53. O Sangue do Olimpo – Rick Riordan
    que esqueci de colocar, mas li também.

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Filipe Sena é, antes de um dos meus melhores amigos desse lado e do outro do Mississippi, um jovem escritor bem promissor. E enquanto ele me contava da formatura da irmã dele, eu fiquei bolando de rir e achei que todos os meus 4 leitores deviam ter a mesma chance.

Esse ano minha irmã fez 17 anos.
Só isso bastaria pra me deixar sentindo como se eu fosse um idoso. Mas ela fechou o pacote concluindo o ensino médio. E ao contrário de mim e do meu irmão, ela fez festa de formatura.
Festa de formatura por si só é uma aventura. Toda a preparação e arrumação envolvida já dá um trabalho desgraçado, isso por que praticamente toda a organização não passa pela mão das famílias dos formandos. Mas ainda tem que ver bolo, docinho, salgadinho e lembrancinha. No caso de uma mulher isso pode virar um inferno dantesco. Não falo isso pelo cabelo, maquiagem e derivados, eu falo isso pela quantidade de coisas que podem, e vão, dar errado. Costureira que erra no vestido e viaja pro interior um dia antes da formatura, cor da lembrancinha que sai errada, cabelereira que não atende o celular. Fora outras coisas menores que esquentam o juízo tanto quanto.
Então chega a grande noite. Depois de uma dose considerável de stress e correria estávamos lá. A família da formanda na festa de formatura. E eu estava lá dando uma de irmão babão, vendo minha irmã linda humilhando o satanás e fazendo hang loose na cara do recalque. Depois de tirar algumas fotos de protocolo, seguindo as orientações dos fotógrafos pra garantir que a foto seja um grande clichê, nos acomodamos na mesa e esperamos o início da solenidade. Mas é nesse ponto que começa a parte mais interessante do negócio: Observar os demais seres humanos do recinto.
Eu não costumo ser muito crítico com os outros, mas qualquer pessoa no meu lugar olharia com estranheza pra moça da mesa do lado que além do seu vestido florido curtinho e da tatuagem alusiva à Legião Urbana na parte de trás do ombro ostentava uma coroa de pequeninas flores artificiais na cabeça. Até agora, quase 24h depois, eu ainda tento entender qual o propósito daquilo. Fiquei imaginando que a moça tinha alguma afinidade com aquelas coisas neo-pagãs, alguma coisa de hippie ou wicca. Por que só alguma coisa muito alternativa podia justificar aquele adereço. Também é engraçado notar que os formandos com os nomes maiores são os que tem aqueles balões com letras presos na mesa. Mas obviamente o orçamento destinado aos balões não é prioridade, e é por isso que “Fulano Junior” tem sua alcunha reduzida a singelos dois balões: um com um “J” e outro com um “R”.
Os formandos são chamados pra fila. Começa aquela expectativa. No caminho pra fila uma amiga da minha irmã deixa na mesa um daqueles tubos que atiram uma chuva de papel picado e gliter, obviamente a responsabilidade de operar o artefato, e a culpa caso o mesmo não funcione, é minha. Minha irmã é uma das últimas da fila em ordem alfabética. Tenho tempo pra rever inúmeras vezes as instruções da embalagem. Enquanto a fila é organizada a mestra de cerimônia mais impaciente do mundo convoca os professores e diretores que vão compor a mesa. Digo impaciente pela quantidade de vezes que os convidados foram intimados a aplaudir quem entrava.
Começa a entrada dos formandos. Cada um escolheu sua música e acompanhado dos pais entrou debaixo de aplausos. Cabe ressaltar como a escolha das músicas foi um sintoma claro de adolescência aguda. Quase todos os meninos entraram com algum rock famosão bem clichê e a maioria das meninas entrou com alguma música em inglês, lenta e com jeito de sentimental. Ficar tentando misturar mentalmente a fisionomia dos pais até chegar na fisionomia dos filhos também ajudou a passar o tempo até entrar minha irmã. Ela entrou com uma músida de Ed Sheeran (Who?) que até um dia desses eu pensei que tinha gravado uma música pra trilha do “maravilhoso” segundo filme d’O Hobbit. A gente faz barulho, eu acerto a chuva de papel picado (epic win). Depois dos formandos sentados de frente pro palco começaram os oradores a discursar.
Depois de um discurso infinito do paraninfo da turma, da palavra da coordenadora, da diretora, da oradora da turma que estava vivendo um caso de amor com a longa saia do vestido, da homenagem aos pais, da entrega das placas e de sermos cobrados pela falta de um ou outro aplauso começa a valsa dos formandos. Valsa para qual eu fui puxado para substituir meu pai quando tentava me aproximar pra tirar uma foto.
Depois da valsa a turma se junta na frente do palco pra fazer um flash mob de um monte de músicas misturadas. Cabe ressaltar que o melhor dançarino da turma era o cara negro da turma que atende pelo curioso apelido de “Negada”. Inclusive eu nunca tinha conhecido um cara que era negro o suficiente pra ser negro de uma forma coletiva. Antes que eu seja acusado de racismo eu me defendo dizendo que realmente o carinha dançava muito, se isso tem a ver com a cor dele ou não é outra história. E antes que toda a turma seja acusada de racismo por chamar o colega de “Negada” vale dizer que quando o indivíduo em questão subiu ao palco pra fazer o juramento em nome da turma e quando foi chamado pra pegar a sua placa das mãos de um dos professores ele foi ovacionado por várias pessoas, inclusive por convidados em diferentes mesas, que gritavam “Negada” a plenos pulmões. Acho que esse tipo de carinho consegue apagar qualquer suspeita de discriminação.
Acabaram as formalidades e a festa começou pra valer. Eu saí bem cedo pra levar minhas tias em casa. Por isso não vi o barraco que rolou depois e os adolescentes embriagados com permissão e sob supervisão de seus respectivos responsáveis.
Já em casa troquei umas mensagens com minha querida Anna Ingrid. Fui intimado à relatar com mais detalhes todo o ocorrido, espero ter atendido às expectativas

Um feliz aniversário

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Já faz um tempo que eu tenho a felicidade de me enxergar como uma pessoa que escreve. Muito ou pouco, bem ou mal, todo dia ou não, são questões outras. Mas eu escrevo. E é isso o que me importa.
A primeira vez que eu vi o meu nome ao lado da palavra “escritora” eu tinha bem menos idade e mais ousadia na vida, foi num jornal cultural daqui que era feito por um jornalista-poeta-uma das pessoas mais sensacionais que eu conheço: Mário Gerson.
Foi Mário Gerson que no meio de tanta gente mais empenhada que eu me deu essa profissão que eu queria mas não sabia se podia. E naquela ocasião, como em muitas outras depois e quase todo dia, eu tenho isso comigo e ninguém pode me tirar: eu sou escritora, porque um igual me reconheceu.
E hoje – ainda- é o aniversário de Mário Gerson, e eu queria dar um carro novo a ele, mas não posso (escritora né gente?) então eu vou dedicar a ele esse textinho que segue com os votos de que o mar esteja sempre próximo do poeta e que as alegrias sejam sempre muitas e repletas de gargalhadas sonoras e espetaculares. E muito café na xícara bonita da sua tia.

 (E embora fosse mais legal um conto alegrinho sobre um aniversário, era isso o que tinha para hoje.)

                                        Júlio, o menino avião

Caminhou lentamente pela rua molhada sem se preocupar com as poças de água no caminho. Quando recomeçou a chover, respirou fundo, fechou os olhos e abriu os braços e um sorriso. Começou a correr em ziguezague fazendo barulho de avião. Puxava um caminhão de madeira por um cordão amarrado no dedo. A calçada ia acabar em breve, ele não viu. Parou de repente quando a mãe gritou seu nome pedindo que parasse, lá vinha o carro.

Virou para a mãe sorrindo, não era o Júlio, era um avião. Ela se aproximou e olhou o filho com um terno olhar de repreensão. Caminhou para ele e sorriu, disse que ele era um bom menino avião e que precisava ser assim, ou seria atropelado pelos carros da rua. E ficasse perto dela, a chuva estava ficando mais forte, não queria que se resfriasse. Precisaria tomar um banho quente quando chegassem em casa. Deixariam o milk-shake pra outro dia.

O menino torceu o nariz. Podia tomar o milk-shake molhado e sem gripar, tinha oito anos, já vivera a vida, era um homem, era forte e alto. Queria ser alto. O pai era alto, se fosse alto como o pai, seria forte também. O pai nunca ficava doente. O menino sempre escondia os sintomas de qualquer resfriado para não demonstrar qualquer fraqueza. A mãe nunca conseguia ser enganada, acabava incluindo no cardápio chás variados de acordo com a natureza da doença que ele queria esconder. Mas não conseguia lhe negar muita coisa que lhe fizesse feliz como o milk-shake fazia.

A mãe e o pai eram tudo para o menino. O filho era tudo para a mãe. O menino só não entendia a fração de sorriso que sumia do rosto dela quando ele lhe dizia que queria ser homem como o pai logo. Não gostava da hesitação da mãe, e tentava com mais força ser grande e forte como o pai. Às vezes empurrava a mãe como o pai fazia, mas não tinha força o suficiente. Ela nunca colocava os óculos grandes depois que ele a empurrava.

Homem é assim mesmo, os grandes e fortes, como o pai, não conseguiam conter todo o amor que sentiam para serem delicados nos carinhos como as mulheres. Por isso o pai às vezes lhe machucava. Por isso o pai às vezes machucava a mãe. Ele tentava ser como ele, que sabia tudo, que podia alcançar as prateleiras altas, que carregava as coisas pesadas, que era o homem da casa. Todos lhe respeitavam. Todos lhe ouviam onde quer que fosse.

O menino se envergonhava de não conseguir que seu amor deixasse marcas na mãe como o do pai. Acontecia de ela cobrir o rosto com aqueles potes coloridos que a tia usava para cobrir a própria feiura e esconder dos outros que não tinha nenhuma beleza. Mas a mãe era linda. Adorava ver a mãe dormindo de manhã, quando a luz do sol invadia a janela e deixava os cabelos da mãe quase dourados. Ele só lamentava que fosse tão menino. Tão fraco. Empurrava a mãe como o pai, mas ela lhe dizia que não fizesse isso que lhe machucava. E o pai fazia, e a mãe o amava. Temia não ser amado pela mãe o suficiente, já que não fazia como o pai. Não conseguia demostrar o amor que sentia por ela como ele o fazia.

O pai estava sempre a lhe dizer que só fazia isso porque a amava muito e por isso não conseguia se controlar. O menino amava a mãe sem se controlar também. Queria deixar a mesma marca. O amor deixa marca se for grande o suficiente. E ele a amava. Mas não tinha força o suficiente. Ali, na rua, só queria ter a mãe só pra ele um momento. Ela lhe daria o milk-shake, sabia que sim. Então, entrou na lanchonete da tia e pediu um duplo, de morango. A tia lhe perguntou se tinha dinheiro para pagar fazendo um gracejo mal disfarçando que lhe tratava feito menino enquanto lhe parecia respeitar um adulto. E ele estendeu as moedas. Estranhou, no entanto, quando a tia chamou a mãe no canto e lhe perguntou o que fazia ali, já não era quase hora do pai voltar? A mãe lhe mandou ficar na mesa do canto enquanto ela conversava com a irmã. Podia ficar quieto um momento?

Observou então a mãe conversar com a tia, ela parecia agitada. A Glenda lhe trouxe o milk-shake. E lhe disse que sentiria falta dele. Mas porque ela sentiria falta dele se ele ia até lá todos os dias? A moça sorriu sem jeito, ele percebeu. Não havia graça ali. Quando ela tomou fôlego pra falar, a mãe apareceu e disse que era hora de ir, ele disse que nem havia começado a beber o duplo morango. A mãe disse que hoje ele podia levar o copo, mesmo sendo de vidro. A tia correu para a mãe, entregou todo o dinheiro do caixa, disse que qualquer coisa ligasse. Tudo ia dar certo. Abraçou o menino e pediu que fosse bom para a mãe. Sentiria saudades, iria vê-los assim que pudesse.

Não entendeu quando a mãe o colocou no carro e lhe disse que tudo ia dar certo. O pai já vinha ali na esquina, mamãe, veja! Não soube por que a mãe chorava. Sentiu-se mal. Não entendia. No desespero de ser entendido, amava a mãe sobre todas as coisas, deu-lhe um tapa e disse que estava batendo nela porque a amava. Ela lhe olhou desapontada, ferida de morte. A mãe quase lhe deu um bofetão na cara, mas agarrou o volante com força e lhe pediu que parasse. Estavam indo embora porque a mãe lhe amava muito. Mas ele não entendeu porque ela simplesmente não lhe bateu. Ficou profundamente triste. Talvez ela não lhe amasse o suficiente.